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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Uma cidade, um curral?

Terça-feira, 5h da tarde. Estou numa cidade do interior nordestino. Não vou revelar o nome do município em respeito aos seus moradores. É que, às vezes, os habitantes de um lugar sentem-se aviltados quando expomos a nudez do seu torrão. Lembrei do conselho que o meu professor e amigo argentino, Gustavo, deu-me: “Quando for viajar, leva um tênis na bolsa. Todo dia dá uma corridinha para manter a forma”. Venho fazendo isso na medida do possível. Hoje, no entanto, aproveitei o exercício para observar o percurso em detalhes.


Enquanto corria, precisava praticar salto em distância. Era o único jeito de escapar dos esgotos que cortavam as ruas. A água suja parecia o choro de um resto de Brasil entregue a malfeitores. Lembrei do curral dos meus animais e pensei: Eu não deixo o gado andar sobre lama. De fato, no meu sítio, os quadrúpedes são tratados com carinho. O recinto onde dormem e recebem trato é limpo. Não tem, acredite, paisano, cheiro ruim. Cheiro que tive de suportar enquanto corria. Eu morreria de vergonha de ser prefeito dessa cidade.

Vi uma escola fechada. As luzes estavam acesas. Falta um administrador, imaginei. De onde sairá o dinheiro para pagar a conta de energia? Do bolso dos escravos. Escravos que, oprimidos pelo sistema, trabalham de olhos vendados. Não podendo ver, não chegam ao conhecimento. E o conhecimento, sabemos, é uma forma de poder. E o poder, meu caro, os tiranos não querem dividir com ninguém. Que nojo.

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