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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dá-lhe, Angélica

          Uma amiga minha acabou de me contar que consegui uma vaga na UNB (Universidade de Brasília). Juro por Deus, fiquei muito feliz. Parabenizei-a. A moça é do interior de Santa Catarina. Admiro-a pela vontade de vencer e a coragem de lutar que possui. Digo isso porque todo mundo quer ser um vencedor, lutar que é bom, necas de pitibiriba. Angélica, por sua vez, sempre me passou uma gana muito grande. Sabe aquela pessoa que a gente olha, escuta e diz: “vai longe”. Desde que a conheci, aqui em Floripa, sempre tive certeza que a catarinense daria voos altos. Você pode estar me perguntado: “Só porque ela passou na UNB, merece tantos elogios?”. Não, não é só por isso. Se bem que entrar na UNB não é “só isso”. Sei, por outro lado, que o que ela fez foi entrar em um aeroporto com aeronaves prontas a levá-la para qualquer lugar desse asteróide onde vivemos. Ao menos para Elisa – este é o sobrenome da minha amiga – a entrada para o mundo está aberta.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ai que inveja! (Continuação)

          Pois bem, voltemos à “marvada” inveja. Ontem eu cheguei em casa e liguei a televisão em um canal de esporte. Tudo bem, eu digo qual: ESPN. Mas não insista,ocultarei o nome do programa. Apenas, era sobre esporte. E, venhamos e convenhamos, a televisão brasileira confunde programa esportivo com programa sobre futebol. Os apresentadores estavam falando sobre Robinho. A volta dele ao Santos. E aí mostraram umas imagens do jogador na Europa, dirigindo uma potentíssima Lamborguinni. Enquanto isso, o âncora ia discorrendo sobre o carro, o motor, o luxo e o preço. Aos poucos sua voz foi ficando sem entusiasmo, arrastada, gelada, magra. Eu, que estava lendo e assistindo ao mesmo tempo, fiquei curioso com a entonação do homem. Quando ele reapareceu na tela estava com uma expressão que é difícil descrever. O companheiro de profissão embarcara no mesmo barco, o da inveja. Filho de Deus, era de chorar em alemão! Eles ficaram trocando ranços acerca do salário do atleta. Dava pena vê-los tão triste. Se tem uma coisa que a inveja não sabe fazer, é teatro. Neste caso o melhor é agir como Gilberto Freyre, e admitir que sente inveja. Sem culpa. A culpa é outro sentimento que já devia ter sido queimada nas fogueiras da idade média. Mas o assunto, aqui, é inveja.