Águas Mornas, na Grande Florianópolis, sofre com falta de energia elétrica. Zona rural é a mais prejudicada. O que fazer?
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| Entrada de Santa Isabel / Gilead Maurício |
Quem passa pela estradinha de terra que corta a comunidade de Santa Isabel, na Zona Rural do município de Águas Mornas, não tem como deixar de notar a presença de um homem na janela de um galpão. Sentado em uma cadeira de rodas, ele faz artesanato em madeira enquanto se distrai contemplando a paisagem digna de cartão postal. Trata-se de Raimar Luiz Scheitt, 64 anos. Cadeirante há 23, encontrou na arte o prazer de trabalhar. Ultimamente, a alegria contagiante do sexagenário está sendo posta a prova pelas constantes interrupções de energia elétrica. Com o carregado sotaque alemão, idioma falado por quase todos os moradores do lugarejo, ele reclama: “Tem faltado energia quase todo dia. O serviço para,ninguém pode fazer nada.” Cerrando algumas tábuas, mais ao fundo do estabelecimento, está Alberto Cunha, 30 anos, genro do idoso. Betinho, como é conhecido o marceneiro, não esconde a insatisfação e esbraveja: “Eu vou entrar com um processo em cima deles. Instalei-me aqui devido a promessa da Cerej de colocar energia trifásica. Já faz três anos”. A Cerej, a quem o moço se refere, é uma cooperativa de distribuição de energia responsável pela eletrificação de áreas rurais da Grande Florianópolis. Fundada na década de 1970, atende 15 municípios atualmente. Perguntei quem assumiu o compromisso e ele foi firme: “Quem prometeu foi o senhor Edson Flores da Cunha, presidente da Cerej”. Irritado, completou: “Compramos máquinas e tivemos que vendê-las porque a energia é fraca. Agora estamos perdendo horas de trabalho devido à falta de energia. No fim do mês, somando as interrupções, perdemos uns dois dias de trabalho”. Sogro e genro formam uma parceria que vem dando certo: Alberto trabalha na fabricação de móveis, operando máquinas maiores, e o sogro dedica-se a arte aproveitando, principalmente, sobras de madeira. Sem saber ao certo quem culpar, dá a última bordoada: “A comunidade está envergonhada com a Cerej e com os responsáveis municipais que deveriam cobrar um melhor serviço”.