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Mostrando postagens com marcador Cachorros. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Chega de cachorro


     Você, por acaso, tem um galinha em casa? Daquelas toda cheia de pena, com um baita bico e que bota ovo? Pois é, não tem. “Como é que vou ter uma galinha, se moro num apartamento, Gilead?”, esbraveja o leitor mais irritado. Tendo, respondo. Simples assim. Passe em uma agropecuária qualquer e compre um filhote. Três reais, não mais do que isso. Aí basta um pouco de ração, todo dia, e três meses depois ela estará pondo. Como bônus pela tua aquisição, a penosa vai devorar os restos de almoço e janta da tua mesa. Opa, vais produzir menos lixo. Ela não exige maiores cuidados. Água, pouca coisa, e comida – incluindo tuas sobras, como já disse. Após noventa dias, ou até menos, terás um ovo caipira todo dia. Não daqueles ovos envenenados de hormônios que compras no supermercado. Por ser um animal de hábitos saudáveis, não gastarás com pet-shop. Xampu, nem pensar. Roupinha para proteger do frio? Não é necessário; as penas são agasalhos naturais da bicuda. Vem no pacote que custou três reais. 

       Ah, teu vizinho de apartanil não vai ficar de saco cheio com o barulho. Claro, galinha, diferente dos cachorros, não faz tem a garganta ligada no volume máximo. Sim, quando põe ela até dá umas cacarejas mais altas. Normal, quando fazemos algo bom também gostamos de divulgar. Caso queiras levar a bonitona para passear, podes colocá-la dentro de uma mochila. Deixe só a cabeça dela para fora e pronto. Ninguém no elevador vai alegar que está correndo risco de ser atacado. E a maior sacada – e é claro que, inteligente como és, já percebeste que faço campanha pela galinha em oposição aos cães – é que ela não urina nas colunas e paredes dos prédios. Sim, porque não vejo um dono de cachorro que lave o xixi do animal dele. Outro idiota que o faça. E como o dono de cão sabe que tolo é o que não falta, deixa o latidor aguar as plantas dos jardins alheios, lavar os pneus dos carros – dos outro, evidentemente – e outras “cositas más”. 

       Vamos deixar claro que não sou contra alguém ter cachorro. Vários amigos meus têm. E eu curto isso. Mas daí a socializar um problema é algo bem diferente. O único inconveniente da galinha são os excrementos. Uma caixinha com serragem, porem, resolve o caso. Você, nesse caso, pode optar por uma fralda. E fraldas, meu caro, precisam ser trocadas. Assim como síndicos, chefes e políticos – e pela mesma razão, como bem alertou Eça de Queiróz. Se bem que o escritor português referiu-se apenas aos políticos, mas acho que ele esqueceu de anotar as demais categorias de profissionais que carecem de substituição. Voltando às galinhas, posso garantir que o animal de estimação perfeito para os grandes centros urbanos é a fêmea da espécie Gallus gallus domesticus.  Faça um teste, amizade. Adquira já seu exemplar e divirta-se. Ou vossa senhoria já não cansou de tanta cachorrada?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Jeca, eu?

- Jeca Tatu é tua mãe, ô espirro de gato!

     Não disse, mas pensei seriamente em gritar no ouvido de Cunilda – chamemos assim minha colega de profissão. Limitei-me a retrucar:

- Pelo menos meus bois não dormem na minha cama.

     Na elegância dos seus um metro e cinquenta de urbanidade, a moça aventou que eu, um cara que gosta da vida no campo, corria sério risco de virar um Jeca Tatu. Ora, ora, meus senhores, li Urupês, de Monteiro Lobato. Acho-o de uma riqueza estilística comparada às encontradas em Saramago. O jornalista escritor retrata em cores vivas a - entre outras coisas – falta de higiene do caipira paulista. O romance daquele que veio a se tornar símbolo da literatura infantil brasileira foi adaptado para o cinema. O Brasil deu risada à custa da interpretação de Mazaroppi. O personagem convivia com os animais como se eles fossem da sua parentalha. E, num país amatutado, Jeca virou sinônimo de matuto, de capiau. Eu até teria ficado calado se não soubesse que ela mora em apartamento e cria um cachorro.

     E os apartamentos de hoje em dia você sabe como são amplos; para não dizer o contrário. A pessoa cria um cachorro dentro de um imóvel que, muitas vezes, não passa de 70 metros quadrados e acha-se no direito de alfinetar quem gosta de gado. Paisano, eu também moro em apartamento e sei, como poucos, o estrago que os caninos fazem em um condomínio. Antes que um tresloucado me condene ao inferno de Dante, adoro cães. Já tive mais de um, inclusive. Não dentro de um apartamento, ressalto. Cansei de entrar na garagem do prédio e ver as colunas do imóvel manchadas de urina de cães. Os donos de cachorros – tem exceções, claro – acham que as calçadas são latrinas para os latidores. A gente tem que andar olhando para o chão para não rechear os calçados. Tem apartamento mesmo que mais parece um canil.

     Aí uma sanfona de gambá vem querer dizer que sou Jeca. Fala sério né, ô, sapato de cobra. Ora Jeca!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Criança de coleira

     Lendo o jornal Folha de São Paulo, hoje cedo, uma manchete atraiu meus bisbilhoteiros olhos. Você sabe como é jornal, não é?, com um bom título fisga o leitor. Fisga, não, prende. Fisgar remete a uma armadilha mortal. Opa, prende também não é coisa que se diga de um periódico. Prender traz a ideia de ladrão, marginal e certos políticos. Ui, que horrível. Deixa eu ver... conquista. É essa a palavra apropriada. Um bom jornal conquista quem o lê. E, venhamos e convenhamos, não é preciso ser bom para conquistar alguém. Tem muito caco conquistando pessoas para lá de disputadas. O jogo da conquista está muito acima do bom, do bonito ou do melhor. Tem horas em que ele gravita em torno da artimanha, da pura picardia. O fato é que gostei do título, achei-o interessante e mergulhei.

Coleira para crianças inspira olhares críticos e reflexões

     Gostando de criança, como gosto, e de cachorro, embora não tenha nenhum, fui impelido a ler a matéria. Na verdade, também não tenho criança. Já fui, entretanto, criança um dia. Não sou, como disse o poeta, “cachorro, não”, esclareçamos. Tudo balela. Não tenho criança, nem cachorro, mas adorei o título. Deu. Mariana Versolato, começou o texto dizendo que “Parece coleira de cachorro, mas é uma mochilinha com alça, que prende a criança à mãe”. E ela, a repórter, segue escrevendo o que alguns pais, psicólogos e quem não tem nada a ver com o assunto pensa da bendita coleira. Eu não sou contra nem a favor. Claro, não tenho criança. E acho que quem não tem deveria ficar bem calado.

     Só se eu fosse muito cínico para alardear que sou contra o uso de coleiras por esse ou aquele motivo. Não arcarei com as conseqüências diretas do uso, ou não-uso, do equipamento. Agora, vamos combinar, o que tem de cachorro andando por aí sem coleira, é uma barbaridade. Para você, leitor, não achar que estou em cima do muro, proponho que primeiramente seja colocado coleira em todos os cachorros. Só depois, que se ponha coleira na criançada. Sheid, meu cachorro virtual, sugeriu que alguns funcionários da Vigilância Sanitária fiquem de prontidão na frente da Câmara e do Senado Federal. De coleira na mão, devem encoleirar qualquer cachorro que queira entrar na duas casas. Não sei, não, mas o que vai ter de cachorro latindo...



sexta-feira, 11 de março de 2011

Ivan Cachorro

     Ivan Cachorro. Só isso. E mais nada. Fiquei sem saber de quem se tratava. Vasculhando a agenda do meu celular, encontrei essa pérola. E agora? Quem é o “maledeto”? Não tenho nem um amigo cachorro. Os que tinha morreram de indigestão, creio. De qual Ivan se trataria? Ora, ora, não coloquei nenhuma informação adicional. Nem uma dica, por menor que fosse. Até conheço alguns Ivan, mas cachorro? Lembrei logo do meu amigo de futebol lá da AABB de Florianópolis, Ivan, o Terrível. Não, não seria ele. Ele é fominha, reclama o tempo todo e quer a bola só para ele. Mesmo assim, eu não o trataria com um adjetivo tão desabonador. Se bem que tem certos cachorros que são infinitamente superiores a certos homens. Um cara que não paga pensão para um filho não deve nem ser chamado de vira-lata. Seria um insulto com o coitado do pulguento. Um camarada que não respeita a mãe está longe de ser considerado um latidor. É, no máximo, o carrapato que o cão carrega.

 
     Aí me veio à mente outro Ivan, também peladeiro. Esse é mais veterano. Trata-se de Ivanzinho, chamado assim, creio eu, devido aos seus 1,61 metros de pura educação. Ex-treinador do Figueirense, jamais eu chamaria de cachorro. Lembrei de um e outro Ivan. Nada. Ora bolas, também quem mandou escrever Ivan Cachorro? O jeito era recordar alguns cachorros que conheci nos últimos anos. Fulano, pensei, era um cachorro, mas eu não anotaria o telefone dele. Sicrano, idem. Beltrano, o mesmo. E agora? Apago o Ivan Cachorro ou o deixo lá, mudo, quieto, sem dar uma latidinha sequer que o identifique? É melhor eu deixar as coisas como estão, decido. No dia em que meu telefone tocar e o identificador mostrar Ivan Cachorro, abrirei um sorriso e capricharei: Ivan, meu querido, quanto tempo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Eu não sou cachorro, não

          Diz-me uma coisa: você já ouviu falar no general Setembrino de Carvalho? Não? Se você é natural de Santa Catarina, coloque um ponto de exclamação depois do sinal de interrogação. Se você se considera uma pessoa de farto conhecimento, também coloque o símbolo exclamativo. Caso mores no estado onde nasceu Gustavo Kuerten, embora tenhas vindo de outras paragens, como é o meu caso, perdoar-te-ei o desconhecimento. O famoso militar foi o comandante da mais importante expedição do exército enviada ao Contestado. Lembra da Guerra do Contestado? Pois bem, quando o General chegou no palco do conflito, pelas bandas de Caçador, Curitibanos, Lebon Regis e outras povoações, ficou impressionado com o desnível social reinante.

          E no relatório que fez, escreveu assim: “A diferença de condição entre o proprietário e o camarada era e é de tal sorte manifesta que suas relações em muito se assemelham às que deveriam existir entre escravos e senhor” (Setembrino de Carvalho, 1916:2). Ou seja, lá se vão 100 anos de história. Os tempos, entretanto, mudaram. A sociedade evoluiu. Os pobres já não são assim tão miseráveis. Os religiosos ultrapassaram o fundamentalismo e os políticos deixaram para trás a corrupção. Hoje cedo assisti a uma reportagem envolvendo alguns jogadores de futebol do Santos. Os atletas estavam na concentração e resolveram entrar na internet. Quando um torcedor, que interagia com eles, criticou o goleiro – chamando-o de mão de alface -, este deu uma resposta que me lembrou Setembrino: "Aí, fera, o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês", fulminou.
 
          Gente do céu, aonde vamos chegar! O torcedor foi colocado em uma situação de total desprezo. A desigualdade financeira coloca atletas de futebol e a maior parcela da população brasileira em patamares diferentes. Os ricos se acham no direito de humilhar, de pisar e tripudiar o menos favorecido. O que achas, paisano, que o General Setembrino diria ao ouvir tal besteira dita pelo futebolista? Para ser sincero, eu não sei. Mas sei que o filósofo Waldick Soriano cantaria assim: “Eu não sou cachorro, não, pra viver tão humilhado. Eu não sou cachorro, não, para ser tão desprezado”. Pois é.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Viva a revolta!

          Coitado! Pobrezinho, diria um piedoso. Dá pena, choraria minha mãe, dona Margarida. Eu achei o máximo. A mais pura expressão da vontade própria. Um sonoro “não” nos olhos boquiabertos da mulher. Um desprezo merecido à ignorância de quem insiste em alterar a natureza. Um protesto silencioso contra essas barbaridades cometidas pela sociedade dita moderna. Ele sentou-se na calçada. Resignado. E quando eu passei ele me encarou com uns olhos de “quer o quê”. Dei risada. Que moral. A dona não sabia o que fazer. Contentou-se em segurar a corrente que estava presa à coleira do insubordinado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A verdadeira identidade de Sheid

          Vez em quando eu cito Sheid, o meu cachorro, neste espaço. Muitas pessoas perguntam-me por ele. Querem conhecê-lo por acharem-no humano em demasia. Indagam-me de onde o comprei. Querem saber a raça. Eu divago. Brinco. Ontem à noite, entretanto, conversei com o cão por várias horas e resolvemos descortinar a real identidade dele. E a partir de hoje, em dias incertos, contarei detalhes pertinentes a ele. E vou principiar pela origem do moço. Permita-me o “moço”.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Amizade que vem de cima

          Toda vez que passo ele está lá. Confesso que fiquei curioso nas primeiras vezes que vi a cena. Com o tempo fui me acostumando com a ideia e passei a admirá-lo. E, você sabe, simpatia não brota do asfalto. Não surge de uma hora para a outra, como a paixão. Não aparece de subto, feito visita inoportuna. Não vem sem ser convidado, feito cunhado em festa, ou sogra em almoço. Não se manifesta de supetao, feito guarda de trânsito. Admiração é algo mais cadenciado. É paulatina. É calma. Parece com uma linda roseira. Um dia foi semente. Um dia germinou. Um dia brotou. Cresceu. Floresceu. Que belas rosas! Mas toda vez que passo ele está lá. Em cima da casa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Merda! Pisei!




          Quem nunca pisou que atire a primeira merda, quero dizer, pedra. Não é fácil encontrar alguém que nunca pisou em cocô de cachorro, principalmente se o tal alguém costuma caminhar pelas ruas do Centro de Florianópolis, próximas à Beira-Mar Norte. Já tem até rua sendo, malvadamente, chamada de: “A Rua do Cocô”. Não, não é gracinha, não. A tal rua é a Duarte Schutel, localizada em uma área de classe média da capital catarinense.