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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vá à marcha, mas não me chame


Marcha pela direito de encher a pança de droga – para não ser desbocado e dizer encher outra coisa –: não me chame.

Marcha pelo direito de ter parceiro macho, fêmea ou jegue: por favor, me inclua fora dessa.

Marcha para ter direito a ser um religioso segregário: passo.

Marcha contra políticos que assaltam o povo na cara de pau – tô fora.

     Quem me conhece não vê novidade no meu posicionamento quanto aos três primeiros movimentos citados. E é fácil de deduzir, porque não sou usuário de porcaria nenhuma que venha a me tornar mais imbecilizado do que já estou. Quanto ao sexo, quando nasci, lá em Natal, sem direito a ultrassonografia, fotografia ou outra porcaria qualquer, o médico disse: é homem. Homem nada, era um piazinho do tamanho de um rato. Era macho. Macho fui, macho sou e macho serei. Agora se um amigo meu, de nome Ronaldão, resolveu virar Rosinha, problema dele. Continua meu amigo. 
     
     Seu Maurício e dona Margô ensinaram-me a respeitar. Quando encontro o ex-Ronaldo, não penso duas vezes antes de dizer “e aí mermão”. E a marcha pra Jesus, Gile, você é contra? Permita-me o chavão, mas não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Tenho, no entanto, sérias desconfianças que Jesus não tem nada a ver com o negócio. E se a marcha é feita por religiosos, para religiosos demonstrarem sua força e para os líderes das igrejas poderem depois negociar com políticos o apoio a essa ou aquela candidatura... pe-la-mor-de-Deus. Até aqui tudo bem, mas quando o assunto é corrupção tem uma bagualada de orelha em pé: “o quê, Gile? Não apóias a luta contra os corruptos?”. Vamos comer o boi aos bifes.

     Amigo, você acha que o cara que gasta uma bolada numa campanha mais suja do que chiqueiro de porco está brincando? Achas que o prefeito que rouba a merenda escolar de crianças está pensando em festinhas com palhaços coloridos? Acreditas que essa cambada de políticos que enriquecem à custa dos impostos de trabalhadores está a fim de cantigas de ninar? Mesmo assim, entendes que um punhado de gente com apito na boca ou nariz de palhaço pode sensibilizar o coração desses descendentes direto de Nero? Não, não vou a nenhuma manifestação contra a corrupção em que os manifestantes não estejam determinados a lutar. 
     
     Lutar no sentido mais original da palavra. A corrupção é um cancro que precisa ser extirpado, senão mata o Brasil. Enquanto os corruptos não defrontarem-se com uma multidão enraivecida, capaz de derramar o próprio sangue, eles continuarão matando idosos nas filas de hospitais. Continuarão permitindo que marginais iguais a eles roubem e tirem a vida de pais de família. Para enfrentar um leão, meu chapa, precisamos ao menos de uma boa faca. Por isso, não me convide para fazer parte de uma marcha contra a corrupção. Não creio em grandes mudanças sem derramamento de sangue; que o digam as últimas reviravoltas no chamado mundo árabe. Combater a corrupção com vassourinhas, faixas e gritos... Desculpe-me a sinceridade – ou pessimismo -, mas acho que é apenas pirotecnia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Yama, o filho de Mefisto

     O camarada acorda às três e meia da manhã. Apavorado, imagina que ainda está dormindo, sonhando. Não, tendo um terrível pesadelo. Se bem que, se é pesadelo, é sempre terrível. Entre o real e o abstrato, nota três olhos observando-o. Seria Yama, o filho de Mefisto, aquele horrendo bruxo que fazia de tudo para matar Tex Willer, meu herói de infância da revista em quadrinhos? Naquela época, um lençol resolvia o problema. Bastava apertar as pálpebras ao limite, cobrir-se da ponta do pé à cabeça e esperar que a camuflagem afugentasse aquele bruxo de rosto cadavérico e barbicha em forma de cone. Nem mesmo o calor do Nordeste impedia a construção de minha improvisada trincheira sobre a cama de campanha no barracão onde eu dormia na companhia de meu avô materno e de meus irmãos. De tanto medo, adormecia. No outro dia, ainda ressabiado, procurava a revista para ler outra vez. "Yama, seu desgraçado, quero ver você me apavorar agora sob esse sol que espanta demônios", pensava minha inocência de oito anos incompletos. Quando as trevas caíam sobre o sítio em meio à mata atlântica, eu me preparava para mais uma violenta guerra sobrenatural. Com receio de provocar mais ainda a ira de Yama, não contava a ninguém de seus assustadores ataques.

     Nossa casa ficava a cinquenta metros do rio que chamávamos de Ponte Velha.  O curso d’água levava o nome por passar sob a antiga ponte da BR-101. Luz elétrica nem pensar, o que já era um baita ingrediente para a imaginação de uma criança. A chama dançarina do candeeiro fazia surgir imagens medonhas do arqui-rival de Tex nas paredes. Entre uma colherada e outro de cuscuz, o infeliz Yama fazia ameaças do tipo “espera, menino”. Meu avô, o maior santo que conheci, era minha única esperança caso o tinhoso desferisse um ataque forte o suficiente para ultrapassar o delgado lençol que me protegia. Pai Nié, era esse o nome do baixinho de olhos azuis a quem eu estendia a mão antes de me deitar e pedir “a bença”. Avô, naquele tempo era um ser sagrado e consagrado, digno de abençoar um neto indefeso antes de dormir. Claro que Yama fugiria feito uma bala se Pai Nié flagrasse ele perturbando o sono do neto mais novo. A briga com o malvado era, entretanto, pessoal. Perturbar o avô estava fora de cogitação. Meu pai dormia na casa ao lado e diria, caso eu me queixasse a ele: “deixe de ser besta, rapaz”.

      Os ataques de Yama perdiam força quando meu irmão Gilson comprava novas revistas de Tex que não traziam o feiticeiro como personagem. Aí eu podia ler à vontade. De pistoleiro eu não tinha medo. Sim, lá em casa tinha arma de fogo e com elas eu estava acostumado. O tempo passou e o Gile cresceu. Enfrentou gente bem pior do que Yama. Conheceu uns tipos que fariam, sem dúvida, do tenebroso Yama um office-boy. Não vou citar nomes para não gerar desconforto no inferno. Agora, na quarta década por este mundo de meu Deus, sou acordado por três olhos de outro mundo. Quando retomo a consciência é que o mistério se desfaz. Um olho grande, vermelho, vinha da parte inferior da televisão. Outro, também vermelho era do aparelho de DVD.  O terceiro, o mais aterrorizante, verde e se mexendo, era do decodificador da TV por assinatura e informava o canal número trezentos, que eu ativara para ouvir duas músicas antes de entrar no mundo dos sonhos. 
           É, Yama, nossos combates eram muito mais saudáveis.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um relato pré-morte

     Ontem recebi o email de um leitor deste blog. Avesso a postar comentários, preferiu enviar a mensagem. Contou que lê quase todos os textos do reporteando depois que um amigo dele recomendou umas espiadas nas crônicas. E perguntou a minha idade. Lá pelas bandas de Pindamonhangaba, num fim de semana frio como foi o último, passou os olhos em O cinismo espeta a verdade e entendeu que eu já teria pelo menos setenta aninhos de vida. Achou o relato muito pré-morte. Respondi que estou apenas na minha quinta década neste mundo de meu Deus, que acredito que esse asteróide pequeno – como poetiza Zé Ramalho – é um lugar bom, mas que o fato de contar sobre o que já fui não significa que estou abrindo mão da existência. Pelo contrário. Afirmando que já fui, sentencio que sou. E-vi-den-te, paisano. Veja uma árvore de oitenta anos: cada novo anel que adquire, dá-lhe nova aparência, o anterior fica aprisionado para nunca mais voltar a receber lufadas de vento. Serve, contudo, de base para o que se arvora. Ao perder a capa protetora ganha outra muito mais viçosa. É isso, meu caro. Avisei ao camarada que responderia via crônica.

     Já fui, sim, e continuo vivíssimo. Ainda bem que descobri isso a tempo de repensar valores por outros embutidos em minha cabecinha inocente – e lá se vão algumas décadas, meu Pai.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Criança quer sexo, droga e pancadão

     Lendo um jornal de circulação diária do nosso Brasil varonil, dei com as fuças na seguinte manchete: “Pais devem acostumar os filhos a dormir na hora certa desde cedo”. O complemento informava: “Garantir um bom sono durante a infância estimula esse hábito na fase adulta”.

- Ô editor, meu garoto, para com isso, mermão. Tu ta maluco, animal. Tas querendo que nossas crianças sejam fantoches, é? Tas insinuando que os pais devem estabelecer um horário para os filhos caírem no sono? Tas querendo que os inocentes se acostumem a dormir cedo? Tu ta mais por fora do que mão de afogado, louco. Sai dessa vida e cai na real, jacaré. E tem mais: se você continuar colocando matérias manipuladoras nesse teu jornaleco, vais findar com um baita processo nas costas.
 
     Ora, ora, onde já se viu uma coisa dessas? Onde é que vamos parar? Nossas crianças precisam ser independentes desde cedo – comer o que querem, dormir à hora em que bem entendem e ganhar uma cópia da chave de casa aos sete anos. E se entre pai e filho tiver que haver um dominador, que seja o de menor idade. Pânico na TV, o programa de televisão mais visto por adolescentes brasileiros, por exemplo, termina às 23h30 do domingo. Se o pimpolho tiver que dormir às 22h, perderá a oportunidade de ver bundas, piadas preconceituosas e bizarrices outras.

     E o que dizer dos horários de funcionamento das boates? A coisa por lá só bomba depois das 23h. Como a entrada é permitida a qualquer pessoa que pague, os menores não vão ficar de fora. Aí uma moça de 14 anos vai estar dormindo nessa hora e perdendo a oportunidade de fumar unzinho, tomar uma dose de uísque com energético e depois transar dentro de um carro de um maconheiro que ela acabou de conhecer? Sei que quem fuma maconha odeia ser chamado de maconheiro, mas acho que isso é auto-preconceito. Você gostaria, pai, a senhora gostaria, mãe, que sua filha perdesse a juventude dela dormindo, ao invés de estar se divertindo? Em casa ela provavelmente não terá cocaína para cafungar. Isso a belezura só encontrará na “casa da amiguinha”, onde precisará dormir para “fazer um trabalho de escola”.

     Tem gente que é antiquada e quer que os filhos também o sejam. Dormir cedo é coisa do tempo em que Legião Urbana ainda era rural. A moçada hoje quer sexo, droga e pancadão. E essas diversões costumam ser disponibilizadas depois que os ultrapassados pais de família estão dormindo. Ora, ora, paisano, uma adolescente não pode perder a festa por causa de um idiota de um pai que quer dormir cedo. Que durma, então, o sonolento, mas não atrapalhe o divertimento das nossas crianças.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A mãe do Guilherme, a Mãe do Leonardo

     - Ai, que desanimador – digitou, quase que balbuciando, uma jovem leitora. Senti o pesar da moça, mesmo não sabendo de quem se tratava, pois seu comentário foi anônimo. E o anonimato é uma espécie de trincheira usada pela maioria dos comentadores de internet. Opa, não entro no mérito do certo ou errado de tal atitude. Às vezes, é por timidez, a pessoa não quer ter o nome exposto e, se coçando após a leitura de um texto, tecla algumas frases e assina: anônimo. Outras vezes, é por puro senso de sigilo. Não pretende colocar o nome e ter sua identidade secreta revelada. Tem, evidente, trezenas de justificativas para se manter oculto por trás de um comentário. O chato é quando tal anotação é maldosa, maliciosa. Do contrário, como diria o filósofo da TV, “Faz parte”. Invocando os meus superpoderes rítmicos, estratosféricos e palatinaikos, percebi desgosto na frase da jovem.

     - Você ta é com inveja por não ser mãe – esbravejou uma colega direto no meu email. Nem se deu ao trabalho de comentar no blog. – Ai, to morrendo, sim, senhora -, respondi com o cinismo característico de um Diógenes. Ué, o nobre leitor, ou leitora, ou outra coisa, ainda não havia percebido que carrego uma aura cínica sobre meus cabelos embetumados? Cínico, sim. Por favor, não é esse cinismo encontrado em políticos e outros contraventores que, ao serem entrevistados, após provas irrefutáveis de seus crimes, bravateiam: “Eu sou uma pessoa honesta, transparente e de consciência limpa”. Não, não é esse tipo de cinismo. É o cinismo que surgiu com Antístenes e teve em Diógenes o seu principal expoente. A escola cínica bebeu na sabedoria socrática e serpenteia, até hoje, pelos vinte e cinco cantos do nosso planeta. Gente do céu, um texto, quase um textículo (permita-me o questionável neologismo), acerca do dia das mães não deveria causar tantas reclamações por parte das mulheres. Digo “por parte das mulheres” porque nenhum, nenhum homem ousou me contrariar. Todas as mensagens que recebi vieram de mulheres. Calma, senhoras, eu também devo minha vida a uma mãe. E agradeço a Papai do Céu por ela. Questionei, só isso, algumas palhaçadas que são feitas em nome das genitoras. Um comentário feito nesse blog pela minha amiga Janair, lá de Chapecó, entretanto, foi uma covardia.

     A mensagem, que você pode ler nos comentários à esquerda da página, começou com: “Amigo Gile”. Aí você já viu, né?! Vem bordoada pela frente. Emocionada, a mamãe Jana poetizou a respeito da maternidade. E fez isso com um brilhantismo e uma educação que só uma mãe realizada é capaz de fazê-lo. Foi, no entanto, covarde. Calma, calma, eu não seria grosseiro, jamais, com a esposa do meu grande amigo Bruno. O que o leitor não sabe é que ela é mãe dos filhos mais lindos e adoráveis que essa terra viu nascer nos últimos três anos – Guilherme e Leonardo. O Gui é meu faixa. Como eu, adora macarrão e sagu. Se expressa como gente grande. Parece um diplomata. O Léo é ágil, cândido e gracioso. O que não dá para saber, mesmo olhando os dois lado a lado, é que eles são gêmeos. Como são diferentes os pimpolhos. Um é loiro, puxou à mãe; o outro é moreno, a cara do pai. Os quatro moram em uma deliciosa casa rodeada de verde e de água nos arredores de Chapecó. Aí fica fácil, dona Jana, falar na beleza de ser mãe. Outro dia, alguns amigos estavam dando risada e doidivanas interveio: “quero ver rir, assim, duro”. Pois é.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O jogador que beijou muito

     Não, não sou saudosista. Não superestimo o passado. Não digo que os tempos idos foram melhores do que os atuais. Seria imprudente falar assim. Não recordo apaixonadamente o fato de ter direito a um par de sapatos por ano. E era assim na minha infância. Mas como esquecer o primeiro kichute que ganhei? No início dos anos 1970, esse calçado fez sucesso no Brasil. Era um misto de tênis e chuteira. E a meninada adorava. Imagine só: a gurizada, ao mesmo tempo em que ia estudar, estava prontinha para uma partida de futebol. E isso, depois da conquista do tricampeonato de futebol pela Seleção Brasileira no México, foi como mel na chupeta. A Alpargatas, fabricante da marca, chegou a vender 9.000.000 de pares em determinado ano. O pirralho que não tivesse um, não era gente. Quando fui presenteado com um, foi a glória. É legal lembrar-se disso, mas é um tempo que se foi. E o prazer de ganhar um kichute não supera, nunca, a dificuldade pela qual passávamos. Hoje, tudo é mais fácil. As diversas marcas de tênis desfilam nos pés da macacada como se fossem chuchu na serra. O passado uso como lição, como aprendizado, como escola. Por isso não sou saudosista. Até prefiro os dias atuais. É, mas tem umas coisas da chamada modernidade que não entram na minha cachola.

     O futebol, por exemplo. Já contei, em outras crônicas, que o rádio de pilhas fez meu imaginário ganhar ares de Spielberg. Com o passar do tempo e o advento da televisão, as partidas futebolísticas tornaram-se produto comercial. E nada mais que isso. E como tudo que envolve dinheiro merece, no mínimo, ser questionado, desiludi-me com o esporte bretão. Continuo gostando do danado, mas não acredito nem um pouco em sua lisura. Até que é aceitável o fato da modalidade ter virado comércio, pois o mundo é puro comércio. O nascimento é um comércio, viver um comércio, o casamento é um comércio, e até a morte – por incrível que pareça – é puro comércio. Tem coisas, entretanto que passam dos limites.

     Ontem, assisti 15 minutos do jogo entre Real Madri e Barcelona. O futebol jogado pelas duas equipes era infinitamente pior do que o das peladas que participo na AABB de Floripa. O problema é que, além do péssimo futebol, o telespectador ainda tem que ouvir asneiras de pseudos-jornalistas. Em determinado momento, ao se referir a um atleta do Barcelona, o narrador esbaldou-se: “Ele beijou muito na boca nesse final de semana”. O ignorante profissional nem ao menos sabe a sutil diferença entre fim e final. E é fácil: só tem final quem tem inicial; quem tem início tem fim, não final. Assim sendo o tal jogador, caso tenha beijado muito, o fez no fim de semana, nunca no final. Língua portuguesa à parte, mas continuando em matéria de língua, o que eu tenho a ver com os beijos de um peladeiro? Será que o tal narrador pensa que disse alguma coisa importante e que tenha a ver com o futebol? Ou o cara é viciado em novela, apesar dele não ser da Globo? Aí não tem jeito, paisano, “que saudade do meu rádio de pilhas”.


sábado, 19 de março de 2011

Uma mente movida a rádio de pilhas

     Quero, antes de qualquer coisa, dizer que não gosto de dividir uma crônica ao meio. Acho que crônica tem que “chegar chegando”. Detesto, eu disse detesto, esperar o dia seguinte para ler o desfecho de uma crônica. Outro dia, eu li uma num jornal e o cronista finalizou dizendo que continuaria no dia seguinte. Fiquei in-ju-ri-a-do. Prometi para mim mesmo que não leria, que era um abuso. Curioso, no outro dia já acordei pensando no que o “safado” do cronista diria. Óbvio, li. Ontem, porém, caí na vala comum. Comecei a crônica com a frase “Ontem à noite, eu estava na década de 1970”. Discorri sobre a correria do dia-a-dia e deixei a década de 1970 para hoje. Pois bem.

     Eu estava assistindo o jogo entre Atlético goianiense e Curitiba. De repente, um cochilo. De olhos fechados, escutava a voz do narrador ao longe. Atlético goianiense. Desperto, mantive as pálpebras cerradas. Viajei numa velocidade espantosa no tempo. Vi-me no Rio Grande do Norte da década de 1970. Uma luz tremeluzente iluminava o barracão que servia de alojamento para os homens da família. Entre esses homens, me incluo, embora, à época, não passasse de um fedelho. Um rádio de pilhas, preso na cama de cima de um dos três beliches, contava a saga do América de Natal em busca de uma vitória contra o time goiano. O jogo era em Goiás. A tarefa, lembro como se fosse hoje, era quase impossível. O Atlético era um demônio ferocíssimo, em minha cabeça imaginosa. O time potiguar, no meu imaginário movido a rádio de pilhas, era formado por seres iluminados, bondosos demais para matar o peçonhento Atlético.

     Era uma questão de tempo para o locutor, torcedor ferrenho do time de Natal, lamentar o gol atleticano. Eu, à época, também torcedor do “Mecão”, dormiria triste. Quero esclarecer que ainda torço pelo América, mas agora o ABC também divide meu coração futebolístico. Torço mesmo, quero deixar bem nítido, é pelo Alecrim Futebol Clube. A bem da verdade, não sou o tipo de torcedor que um time precisa. Gosto de ver é gol, não importa muito quem o faça. Naquele tempo de luz a querosene, sem a mágica da televisão e sem o conhecimento que me tornaria um descrente na lisura do esporte bretão, importava muito para mim quem fazia o gol. Se era dos endiabrados atleticanos, o sono era doído.

     Abri os olhos e o placar indicava: Atlético 1 X 2 Curitiba. A transmissão em HD trazia o campo de jogo para dentro do quarto. Que coisa sem graça. Não era, nem de longe, o Atlético que eu conheci nos tempos de menino sambudo. Seus jogadores não carregavam tridentes pontiagudos. Estavam humilhados por adversários vindos do distante Paraná. Que também não eram lá essas coisas. Meu Mecão venceria esses molengas facilmente, pensei. Desliguei a TV e voltei à noite de 1970. O sono não seria doído; o coração, no entanto...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Criança de coleira

     Lendo o jornal Folha de São Paulo, hoje cedo, uma manchete atraiu meus bisbilhoteiros olhos. Você sabe como é jornal, não é?, com um bom título fisga o leitor. Fisga, não, prende. Fisgar remete a uma armadilha mortal. Opa, prende também não é coisa que se diga de um periódico. Prender traz a ideia de ladrão, marginal e certos políticos. Ui, que horrível. Deixa eu ver... conquista. É essa a palavra apropriada. Um bom jornal conquista quem o lê. E, venhamos e convenhamos, não é preciso ser bom para conquistar alguém. Tem muito caco conquistando pessoas para lá de disputadas. O jogo da conquista está muito acima do bom, do bonito ou do melhor. Tem horas em que ele gravita em torno da artimanha, da pura picardia. O fato é que gostei do título, achei-o interessante e mergulhei.

Coleira para crianças inspira olhares críticos e reflexões

     Gostando de criança, como gosto, e de cachorro, embora não tenha nenhum, fui impelido a ler a matéria. Na verdade, também não tenho criança. Já fui, entretanto, criança um dia. Não sou, como disse o poeta, “cachorro, não”, esclareçamos. Tudo balela. Não tenho criança, nem cachorro, mas adorei o título. Deu. Mariana Versolato, começou o texto dizendo que “Parece coleira de cachorro, mas é uma mochilinha com alça, que prende a criança à mãe”. E ela, a repórter, segue escrevendo o que alguns pais, psicólogos e quem não tem nada a ver com o assunto pensa da bendita coleira. Eu não sou contra nem a favor. Claro, não tenho criança. E acho que quem não tem deveria ficar bem calado.

     Só se eu fosse muito cínico para alardear que sou contra o uso de coleiras por esse ou aquele motivo. Não arcarei com as conseqüências diretas do uso, ou não-uso, do equipamento. Agora, vamos combinar, o que tem de cachorro andando por aí sem coleira, é uma barbaridade. Para você, leitor, não achar que estou em cima do muro, proponho que primeiramente seja colocado coleira em todos os cachorros. Só depois, que se ponha coleira na criançada. Sheid, meu cachorro virtual, sugeriu que alguns funcionários da Vigilância Sanitária fiquem de prontidão na frente da Câmara e do Senado Federal. De coleira na mão, devem encoleirar qualquer cachorro que queira entrar na duas casas. Não sei, não, mas o que vai ter de cachorro latindo...



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Danem-se, miseráveis

     As construções precárias, algumas de pau-a-pique e chão batido, parece terem sido projetadas pelo mesmo arquiteto que fez os hediondos círculos retratados pelo florentino Dante Alighieri em sua Divina Comédia. Um pedaço de inferno no Nordeste de um Brasil tão rico. Raríssimas são, quase que num contra senso, as casas em que o céu não esteja representado. Em uma delas, duas, noutra, três. Às vezes, cinco anjos de olhos cintilantes e barrigas crescidas por abrigar tantos vermes, brincam sem saber que o futuro é perdição. O que pedem da vida? Quase nada. Uma bola de plástico, quando muito, para dar vazão às puerilidades, ou uma boneca sem braços. Talvez, presentes de um protetor que ceifa-lhes o sopro divino aos poucos – o prefeito. Sim, senhoras e senhores, o prefeito e seus vereadores são os demônios que eliminam quaisquer possibilidades de tais crianças ascenderem socialmente. Roubam-lhes o direito a saúde. Ao invés de sanear o município, e evitar assim a presença de pestes, fazem arremedos de pavimentos que, superfaturados, tornar-se-ão em belas casas de praias, apartamentos luxuosos e carros importados. Oferecem salários de miséria aos professores e atraem, para a nobre função, profissionais desencorajados e também vencidos pela desgraça. A merenda escolar, que para alguns anjinhos é a principal refeição do dia, chega em forma de comida de cachorro. Cachorro de pobre, diga-se de passagem. Por quê? Porque políticos inescrupulosos precisam de filé-mignon na mesa de suas mansões. "Danem-se, miseráveis, o que nos interessa são apenas os votos dos teus pais", gritam pelas ruas quando fazem comícios. Depois, correm para o céu do litoral. Gula, avareza e luxúria lhes esperam – só para citar alguns pecados. Ah, fotografias em jornais, aparições na TV e coisas do gênero acompanham o Manual do Explorador. Não podem, isso não podem, esquecer do próximo dia das crianças. Uma nova boneca de 1,99 e uma nova bola, também de 1,99, aquietarão os filhos dos escravos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Eu quero ser bandido"

          Antes de qualquer coisa, informo-lhe, paisano, que a história que vou contar é a mais pura verdade. Passou-se em uma cidade aqui perto de Florianópolis. Mudarei o nome dos personagens para evitar problemas para eles. Aconteceu com um casal que tem um filho de seis anos. Anos, não, aninhos, para ficar mais meigo. Se bem que, de meigo o guri não tem nada. Ou pelo menos não tinha. O sonho do menino era ser bandido. Isso mesmo, bandido, marginal, ladrão ou derivados. E os pais, coitados, preocupadíssimos com os anseios do pequeno. E vou te contar, o piá é o que costumamos chamar de pestinha. E olha que eu entendo dessas praguinhas. Sou capaz de identificar um garoto ruim no meio de uma plantação de alface. Quando lhe perguntavam o que ele queria ser quando crescesse, não pensava duas vezes: "Bandido". Agora vamos combinar, tem gente que não pode ver uma criança que já vai perguntando o que ela vai querer ser. Sinceramente, se eu voltasse a ser criança e um desgraçado de um adulto me fizesse a tal pergunta, eu seria malcriado e devolveria na lata: “ora, se você até hoje não sabe o que quer ser, eu que sou criança vou saber?!” Voltemos ao animalzinho catarinense.

          De tão preocupados os pais passaram a procurar uma forma de mudar a cabeça do, então, futuro delinqüente. Lembraram que tinham um amigo delegado. Estava feita a armação. Em dia combinado, levaram o admirador de Fernandinho Beira Mar à delegacia. Chegando lá, apresentaram o fulaninho ao homem da lei. Este foi duríssimo:

- Então é o senhor que quer ser bandido, não é? – e deu uma porretada com o cassetete na mesa. Falou aos berros. O inocente arregalou os olhinhos e apertou as mãos protetoras dos pais.

- Venha cá que vou mostrar ao senhor o que faço com os bandidos que eu prendo – e arrancou o anjinho da proteção paterna. Levou-lhe às celas lotadas. O calor era intenso, os presos suados e amontoados, como se fossem animais sem dono,não entendiam o que se passava. O cheiro de urina e fezes, próprio de delegacias convertidas em presídio, deixou nosso capetinha de testa franzida. E o delegado arrastava o cassetete pelas grades da detenção. Era um barulho amedrontador. De volta à sala, o homem deu o golpe de misericórdia:

- É isso que faço com bandidos. E fique sabendo, se o senhor virar bandido eu vou te caçar até achar. E não adiantará se esconder. Vou te pegar. Vou trazer você para minha delegacia. – Disse isso e despediu-se dos visitantes.

         À noite o pequeno não dormiu. Disseram-me os pais que ele não sossegou. A toda hora acordavam ouvindo barulho vindo do quarto do menor. Quando levantaram para tomar café, deram de cara com o convertido filho. Ainda com a carinha de preocupado o pupilo desarmou-se:

- Não quero mais ser bandido.- Fingido desentendimento os pais apoiaram a decisão do rapazola. E nunca mais, e já faz mais de seis meses, o menino falou em ser marginal. Tratamento de choque? Sim. Pode deixar traumas? Pode. Cá entre nós, melhor um traumatizado honesto e dentro da lei, do que um “maneiro” marginal.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um calção velho, uma manga e uma vida besta

          “Um velho calção de banho”, cantou o poeta. Nada muito complicado. Coisa baratíssima. Pode ser o suficiente para alegrar o bendito possuidor. Não é preciso um iate de luxo. Muito menos um jatinho. Uma roupa desbotada pode ser mais do que perfeita para deixar feliz quem a usa. A felicidade é um alvo no qual miramos diuturnamente. O interessante é que as caras “amarradas” se multiplicam ao nosso redor. Será que atiramos tão mal? Qualquer “todavia” é motivo de separação entre casais. Um simples e educativo “não” é mais do que suficiente para um terneiro mamão se achar no direito de não falar com a mãe. Ou com o pai, se o bovino for presente. Queremos mais, queremos mais, queremos mais. A lógica consumista invadiu lares, do mais pobre ao abastado. Um bebê chorão de dez anos não suporta o peso de viver sem uma internet velocíssima. E pensar que eu brincava de ser fazendeiro – e lá se vão algumas décadas, Jesus Cristo! – espetando palitos em pequenas mangas e transformando as frutas em nelores, zebus e charolêses. Os palitos eram os pés dos quadrúpedes. Ah, cheguei a abastecer os maiores frigoríficos da América latina. Enricava enquanto trajava um legítimo calção vagabundo, verde com umas listras brancas. Debaixo da árvore eu comprei uma motocicleta, um opala e um sítio com gado de verdade.

         O tempo vai passando e nossos sonhos vão se concretizando. Um e outro se perdem na estrada do destino. As velhas mangas agora são milhões de reais a serem perseguidos. E as conquistas não trazem sorrisos descomprometidos. Carregam a insônia, a preocupação e os remédios. E me pergunto se aquela “vida besta, meu Deus”, da qual falou Drummond, era mesmo besta. Pensando nisso, eu comprei um jogo de dardos. Sempre quis ter um. Não é um brinquedo caro. Não me pergunte o motivo de não tê-lo adquirido antes. Talvez os bens mais caros tragam mais status. Mesmo sem perceber, somos engolidos pelo capitalismo de fachada. A verdade é que passamos o fim de semana espetando o piso de madeira, a parede e, às vezes, o alvo. Verdade é que depois de algumas horas já dominávamos a arte de lançar as pequenas setas de aço. E fiquei pensando no velho calção de banho, nas mangas e na vida besta.

Diversão barata para o fim de semana


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A morte do imaginário

          Tinha sempre alguém incumbido da tarefa. A gurizada sentava e apurava o ouvido para não perder um detalhe, sequer. Por gurizada entenda-se eu, meus irmãos e alguns primos que não apreciavam a monótona vida da cidade e faziam do nosso sítio uma extensão de suas casas. A luz da lamparina dava às histórias de assombração um aspecto muito mais assustador. Em se tratando de romance, a mesma iluminação assumia ares de doces acordes. Gostávamos de ficar na mesa da cozinha. Tinha uma janela voltada para o rio de Ponte Velha. Quando o falecido Merval contava causos de suspense, meu Deus, quantas figuras macabras desfilavam janela abaixo, na direção do fluxo de água. Nossa casinha simples ficava em um platô que se elevava acima do rio; uns cem metros. Em noites mais quentes, a abertura na parede era cobiçada, mesmo com os riscos que corríamos de sermos tragados por monstros ferozes que eram infiltrados em nossas cabecinhas. Seres quasímodos que habitavam nosso imaginário vindo da boca de hábeis contadores de histórias. E friso história com um H. Um H graúdo, que só criaturinhas inocentes são capazes de entender.


          Como era difícil dormir sem antes ter ouvido um conto, uma história ou um caso qualquer. E quando não tinha um narrador oficial, minha irmã mais velha assumia os ares de dramaturga. Por “increça que parível”, as exposições ficavam bem mais interessantes, embora menos críveis. Interessante porque passavam a ser interativas. Sendo minha irmã uma das nossas, nos víamos no direito de interferir no desenrolar de ideias. Era um tal de “fulana não pode morrer”, uma sugestão do tipo “o fim não foi bom, dá uma alongadinha mais, vai”. Eram meus primeiros contatos com a chamada participação do ouvinte, que a mídia só descobriu na última década. O lado negativo era saber que, se nós podíamos dar “pitaco”, o causo era, de fato, uma invencionice. De sorte que gostávamos de mesclar o “real”, muitas das vezes inventado por minha mãe, com o “falso e interativo”, expostos por minha irmã.


          O fato é que tínhamos histórias para ninar-nos. Os tempos mudaram. E hoje, quando uma criança de dez anos vai dormir, apura os olhinhos na frente do computador. Site de fulano, blog de beltrano e twitter de sicrano. Ah, imaginário infantil, onde morrestes? Estou lembrando do verso do poeta que diz:

"Me disseram que sonhar
Era ingênuo, e daí?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe a que há de vir
Eu preciso é te provar
Que ainda sou o mesmo menino
Que não dorme a planejar travessuras
E fez do som da tua risada um hino".
Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O laptop venceu a barroca

          Fiquei alguns dias sem escrever porque meu laptop deu tiuti. Adoro escrever e confesso que já estava com os dedos coçando. Você estranhou alguma palavra da minha primeira frase? Não? Laptop, sabe o que é? Tiuti, também? Entao, se eu disser que deletei alguns contatos da minha lista de emails, você entenderá perfeitamente a que estou me referindo? Quando criança, minha brincadeira preferida era jogar barroca. O que, não sabes o que é barroca? Ha,ha, ha. Simpatia, barroca é um jogo em que se utilizam bilocas. Oh my god. Vai dizer que não conhece uma biloca?! Tudo bem, tudo bem, deves ser da era do vídeogame. Para jogar barroca, e ganhar, era preciso ter algumas expressões na ponta da língua: “preso esbigo”, “licença três pancada”, “num dô bebeuça”, “num dô buchuda”. Isso só para citar algumas. Preso e licença eras as palavras chaves. Quem queria tolher a açao do adversário, gritava: preso isso, preso aquilo. Quem precisava agir com liberdade bradava antes do companheiro: licença isso, licença aquilo. Entendeu? Vou desenhar.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Palmada, câncer e gangrena

          A palmada agora está proibida. Pai algum sairá impune, no Brasil, se ousar tocar com a mão no filho. É lei, amizade. E lei, você sabe como é, não é? Só não cumpre quem é fraco da cabeça, ou rico o suficiente para passar por cima dela. A grande parte da população verde e amarela se encaixa na turma que precisará obedecer a nova legislada. Eu, acredite, sou totalmente favorável à medida. Que papo é esse de pai bater em filho? Toda criança, desde que dá a primeira chorada neste torrão, tem a capacidade de analisar as próprias atitudes. E se erra, o problema é dela. Pai não existe para corrigir filho. É preciso que fique claro. No tempo que fusca era carro de luxo, até que vá lá, mas as coisas mudaram. A situação foi invertida, conterrâneo. Agora é o filho quem manda no pai. Durma com esse barulho.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Eram os deuses crianças?

          Quando criança eu morei em um sítio. E não era um sítio qualquer. Era um sítio em meio a mata atlântica. E tinha um rio. O Rio de Ponte Velha. Também tinha ponte, mas não era velha. Tinha velha, mas não era a ponte. E sob meu olhar infantil o rio era um mar. Forte correnteza. Peixes enormes – o maior deles não pesava um quilo. Entretanto quando se é criança tudo é um exagero de grande. Não posso esquecer-me dos cavalos. Eram mais do que velozes. Só pessoas corajosíssimas ousavam montar naqueles quadrúpedes. Tinha, cada um, uns cinco metros de altura. Não havia, paisano, Ferrari capaz de sobrepujá-los em velocidade e potência. Tinha vacas violentíssimas. Certa vez uma derrubou o balde de leite que acabara de ser tirado de suas tetas. Coisa descomunal. Meus olhos pueris não perdiam um detalhe sequer das belezas do lugar. Tinha patos, galinhas, porcos, cabras e macumba. Macumba?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Me engana que eu gosto

          Estava este escriba fazendo um lanche, hoje, em um supermercado daqui, de Florianópolis, quando percebeu, ao lado dele, uma senhora acompanhada do pequeno herdeiro. O piá não tinha mais que sete anos e pesava não menos que sessenta quilos. Comia alucinadamente. Mordia com avidez os salgadinhos que recebia da mãe; não sem antes lambuzar a iguaria com ketchup e maionese. E repetia a melaceira cada vez que dava uma bocada na guloseima. Foi quando a mãe, sempre a mãe, ofereceu-lhe um chocolate para ele tomar. A resposta do guri foi muito inteligente, mas soou como uma desculpa esfarrapada, ou inocente:
- Não; chocolate engorda. Eu quero é ficar forte.
Hum, sei... Engorda.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A televisão me deixou burro? Cuidado, senão te dou um coice

         Sei que aqui não é um confessionário, mas quero confessar uma coisa para você: criticar é muito fácil; e como criticamos! Eu mesmo sou extremamente crítico. Você também deve dar suas cutucadas em alguém, é ou não é? Tudo bem, não é nenhum pecado criticar. Mas quando a crítica é infundada, malvada ou fruto da ignorância, o buraco é mais embaixo. Falo isso devido aos constantes comentários que ouço a respeito da televisão. Gente do céu, precisamos entender o papel de cada pessoa, cada entidade e, inclusive, cada veículo de comunicação na sociedade. É esta a ferida que vou tocar.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal, com muitas mentiras

          Minta, minta bastante para seu filho. Ele vai crescer e se tornar um adulto que não mente. Eu acho muito legal a forma que a graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande maioria dos pais educa seus pimpolhos. Uma coisa que me chama atenção é o dia de natal. As crianças, que estão em formação, escutam o tempo todo que Papai Noel vai trazer presentes. Que o bom velhinho está vindo do Pólo Norte com um saco cheio de brinquedos para dá-los aos pequeninos. E tem mais: vem num trenó puxado por renas que voam.