Tem certas expressões que perdem o sentido à medida que o tempo passa. Caducam. Envelhecem, perdem o viço e só lhes resta a lembrança. Em certos casos, nem a lembrança. É, paisano, nosso idioma é vivo, e por ser vivo é mutante. Quando criança este amanuense costumava reter na cachola frases que achava bonitas. Que o tocava. Que o fazia pensar. Nunca esquecerei quando ouvi, pela primeira vez, um maluco dizer “isto aqui tá um cabaré de cego dentro de um balaio de gato”. Simpatia, fiquei noites sem dormir imaginando a cena. E ficava inculcado com esse tipo de coisa. Só desencanava quando ouvia uma nova, tipo “sou igual goiano, gosto de pegar para saber se o trem é bom”. Ou ainda, “cobra que não anda não engole sapo”. Hoje, entretanto, li uma manchete no jornal Tribuna da Bahia que me fez voltar ao passado: “Dia de cão para os usuários de ônibus”.
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
"O povo é ignorante"
A história de Sheid; parte 2
Sheid nasceu em Seordal, um dos vinte e sete países que formam o planeta Cachorropeia. Por ser filho do governante ele foi preparado, desde a mais tenra idade, para suceder o pai no comando. Fala todos os idiomas cachorros. Para não perder a pronúncia das línguas distantes, costuma fazer longos monólogos em frente ao espelho do quarto que lhe ofereci. Eu, particularmente, não entendo patavina. Aos dez anos já discorria sobre temas ligados a política, educação e finanças. Lera todos os clássicos do mundo dele. Outro dia ele me confessou que aos quinze anos se achava um sabichão. “Na verdade eu era um bobalhão”, refletiu.
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