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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Se elas dançam, eu danço

          Quando elas dançam tudo fica mais bonito. Claro que se a dança pende para um frevo, é melhor se proteger. É ótimo vê-las ao ritmo de valsa. Acompanhando um bolero, então! Mas não pode ser um bolero desses de quinta categoria que escutamos serem tocados por tecladistas solitários, geralmente desconhecedores de um Ravel. É imprescindível que não seja produzido por um Cássio qualquer, ou ainda por um Yamaha automatizado. Pois vamos combinar: na grande, mas na grande maioria das vezes, o tecladista coloca uma gravação que tem todo o acompanhamento e fica, no máximo, fazendo umas notinhas com a mão direita. Ui. Negativo. Elas dançam tão bem, são tão elegantes, que merecem o som mais harmônico que se possa ouvir. A verdade é que elas dão um show. Quase sempre estão grudadas umas as outras. Aqui acolá notamos movimentos solitários, embora totalmente compassados – elas também dançam solitas. Vale a pena observá-las.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Atenção, senhores passageiros

          Interessante como o ser humano lida com o tempo. Com a idade. Com as mudanças que são inevitáveis na graaaaaaaaande maioria das vezes. Com as sensações e, mais ainda, com as emoções. Coisas que pareciam banais assumem, no decorrer dos anos, valores grandes demais para corações que teimam em minguar, em se fazer pequeno. E diminuindo aperta o que guardou em seu interior. E apertando abraça. E abraçando ama efusivamente. Sinto isso quando volto ao Rio Grande do Norte. Quando regresso à minha gente. Quando retorno ao meu lugar. E hoje estou escrevendo, no avançado das horas, da casa dos meus pais – neste pedaço de Brasil chamado Nordeste.