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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O salário do palhaço

     Há pouco, recebi um email informando o valor que o deputado Tiririca vai custar aos cofres públicos.


Salário: R$ 26.700,00

Ajuda Custo: R$ 35.053,00

Auxilio Moradia: R$ 3.000,00

Auxilio Gabinete: R$ 60.000,00

Despesa Médica pessoal e familiar: ILIMITADA E INTERNACIONAL (livre escolha de médicos e clinicas).

Telefone Celular: R$ ILIMITADO.

Ainda como bônus anual: R$ (+ 2 salários = 53.400,00)

Passagens e estadia: primeira classe ou executiva sempre

Reuniões no exterior: dois congressos ou equivalente todo ano.
Aposentadoria: total depois de oito anos e com pagamento integral.
 
     Achei interessante como a mensagem foi redigida. Interessante é força de expresão. Achei mesmo foi ridícula. Ué, Tiririca é o único parlamentar que mamará na teta robusta da Nação? Gente do céu, quem votou no palhaço o fez por revolta. Ou tem algum quadrúpede que pensa diferente? Aí vem um engraçadinho criticar quem votou no circense, enviar mensagens detalhando o salário de Tiririca e ridicularizando eleitores e eleito. Até parece que Tiririca é o responsável pelas mazelas que infestam o Brasil. Não, paisano. Todos os deputados brasileiros ganham o mesmo. É por esse motivo que eles investem cifras astronômicas para chegarem aos cargos públicos. Ou você acha que a política é um sacerdócio? Ou você pensa que o empresário - para citar uma categoria - gasta uma fortuna na campanha para, depois, ajudar o povo? Fala sério, jacaré. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a mecânica da política é a mesma: investimento pessoal. Agora, vamos combinar, se os deputados ficassem saciados com a dinheirama acima detalhada, seria, dos males, o menor. As falcatruas que eles fazem para beneficiarem A ou B, a sujidade como votam emenda e os assaltos ao erário é que fazem nosso país sangrar. E isso, meu bem, não é coisa de palhaço, é de bandido.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Papai Noel maranhense

     Memórias das Minhas Putas Tristes. Esse é o livro. Há quem diga que a obra está no topo das mais lidas pelos políticos brasileiros com idade acima dos 70 anos. Não pela reflexão que o personagem nonagenário de Garcia Marquez faz sobre a vida, e sim pelas putas. Putas tristes, putas felizes ou seja lá qual for o tipo de comportamento que apresentem. Sheid, meu cachorro, que há tempos estava fora do nosso planeta, com medo do efeito estufa, elegeu o deputado Pedro Novais como legítimo representante dos anciãos dados ao baixo meretrício. O político maranhense promoveu uma orgia em um motel da capital brasileira do reggae. “Eram vários casais, várias pessoas, e nós cobramos por casal”, explicou a gerente do estabelecimento. E acrescentou: “era um dos quartos mais caros; já que tem piscina, banheira, sauna, tudo isso”. Deputado desde 1983, ex- auditor fiscal do Tesouro Nacional e advogado, o raparigueiro botou a despesa na conta da Câmara. Vacilou.



     No início do mês natalino, o Papai Noel da putaria foi indicado para assumir um ministério no governo Dilma. Aí a cueca caiu. Os inimigos políticos do piá, acostumados às “práticas republicanas” e pós-graduados em sacanagem, denunciaram, por pura inveja, o ancião da luz vermelha. Ou você, paisano, acha que só agora o delito foi descoberto? Claro que não, não é? Nossos homens públicos sabem direitinho como, quando e como roubar o erário. Na hora que resolvem ferrar um colega, é muito fácil. Tem gente dizendo que o Sr. Novaes é inocente, as putas é que são culpadas de terem seduzido o vovô maranhense. Ouvi um cidadão dizer que a festança no motel, paga com o dinheiro público, foi uma palhaçada. Aí eu sou obrigado a discordar. Por favor, senhoras e senhores, não vamos envolver Tiririca nesse mar de camisinhas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Leitura para nobres

          Tiririca voltou à tona. Deve estar adorando. Venhamos e convenhamos, estar na mídia é tudo o que um político quer. A imprensa está para o eleito como o palco está para o palhaço. É ali que ele deita e rola; literalmente. Tiririca, além de palhaço, foi elegido pelo povo a deputado. E se foi pelo povo, ganhou nas urnas, voto direto. Verdade seja dita: nem quando se apresentava em “horário povo” da Record ele foi tão visto. Chamo de horário povo o que muitos denominam horário nobre. Cá entre nós, esse papo de nobreza é coisa de 1808. Pelo menos para a gente, republicanos desde 1889. Se bem que tem um monte de abobados que adoram falar em nobreza. Horário nobre, bairro nobre e até atitude nobre. Já percebeu, simpatia, como muitas vezes elogiamos uma boa ação: “Fulano teve uma atitude muito nobre”. É como se educação fosse coisa palaciana. Hummm.

          Há quem concorde com a ideia do marechal Deodoro da Fonseca de que “República no Brasil é desgraça completa”. Para o proclamador da república, por increça que parível, a nação canarinho precisava de educação para sair do imperialismo para a república. Conheço centenas de pessoas, colegas minhas, que pensam da mesma maneira. Calma, calma, não estou dizendo que sou contra nem a favor. Sei que precisamos de educação. Sou favorável às instituições de ensino superior. Tanto sou que até hoje fico indignado com o STF por ter desobrigado o diploma para quem quiser exercer a função de jornalista. Só não entendo esses meus colegas porque eles brigam pela democracia republicana e fazem propaganda monárquica. Ou chamar de nobre tudo que é bom não é uma maneira de exaltação a monarquia?

          O fato é que Tiririca voltou. E vem um camarada dizer que o cearense sabe ler, mas não é capaz de entender um texto. Caro amigo, caríssima amiga, quantos dos nossos políticos são capazes de compreender um texto? Dá um Saramago para cada parlamentar ler e dois dias depois faz um debate para ver o que eles apreenderam da obra! Ora bolas, se os requisitos para se candidatar é saber ler, ter dinheiro para comprar votos e cara de pau para mentir, nossos homens públicos – salvo raras exceções – os cumprem. Não importa se sabe ler um carta infantil ou um Pablo Neruda; não importa se a origem do dinheiro é lícita ou enlameada; não importa se a mentira é verossímil ou deslavada. O que vale é se eleger, não importa como e nem quem. O povo que se dane. Ah, nobreza útil, ah, nobreza inútil.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O palhço não pode chorar

          É, simpatia, Tiririca está na berlinda. Estão querendo impedir o palhaço de assumir uma cadeira na câmara dos deputados. Aí já seria uma palhaçada. Onde já se viu o cara receber mais de um milhão e trezentos mil votos e não poder atender o anseio de quem o elegeu? “Mas ele é analfabeto!”, exaltar-se-á um afoito. “É ridículo ter um palhaço como deputado federal”, berrará um corno. Sim, paisano, só tendo muita guampa no coco para vomitar tanta besteira. O humorista Francisco Everardo Oliveira Silva ganhou com méritos. Deu a cara à tapa, como diria o mais antigo. Botou o braço na seringa, como diria o profissional de saúde. Botou alguma coisa na reta, como diria o mais desaforado. Escrevi “alguma coisa” para não deixar vermelha uma pudica leitora. Mas se você é um leitor traquina, pode substituir o “alguma coisa” por aquela coisa que está pensando.

          O jornal Folha de São Paulo de hoje informa que Tiririca pode até ser punido, mas não será impedido de assumir o cargo que lhe foi confiado pelos eleitores do mais rico Estado do nosso Brasil varonil. Sei que você, meu chapa, em algum momento dessas eleições, brincou com a candidatura do palhaço cearense. Ouso, entretanto, te perguntar: e com os palhaços nos quais você votou, fez alguma piada? E os vários – e bota vários nisso – ladrões profissionais que mais uma vez foram eleitos, o que você fez para desacreditá-los perante a sociedade? Eu, sinceramente, tenho vergonha de criticar Tiririca. Pois não fiz uma corrente – daquelas chatíssimas que se fazem com Power Point e enchem de vírus nossos computadores – contra os marginais, cheradores de pó, traficantes, sonegadores, assassinos, mentirosos e demais desordeiros que concorreram, e foram eleitos, nessa eleição. Que moral eu tenho para entristecer Tiririca?

          Por último eu quero dizer que o responsável pelo circo verde e amarelo chama-se República. É por isso que Deodoro da Fonseca não queria a República no Brasil. Sim, porque o marechal intentava tão somente substituir o gabinete imperial, no fim do século XIX. Ele sabia que, à época nossa pátria não suportaria uma República. Em uma carta que escreveu ao sobrinho que cursava a escola militar no Rio Grande do Sul, em setembro de 1888, Deodoro afirmou: “ República no Brasil é desgraça completa – É a mesma coisa”. Para o marechal, um país carecia de gente educada e dada ao respeito, para fazer uma República funcionar corretamente. O leitor mais atento perguntará: “Mas não foi Deodoro quem proclamou a República?”. Nesse caso, veja como começou nossa República. Salve, Tiririca.

 
PS: A afirmação de Deodoro pode ser encontrada na página 37 do livro Soldados da Pátria - História do Exército Brasileiro 1889-1937 -, do autor Frank D. McCann, publicado em 2007 pela Companhia das Letras.São 700 páginas indispensáveis a quem tem interesse de saber a verdadeira história do Brasil.