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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Galinhos, uma ilha no paraiso praiano do Rio Grande do Norte, abre o porto e espera tua visita


     "É bonito demais", exlamou o maranhense Wanderlei da Silva Melo quando o barco aproximou-se de Galinhos. Câmeras fotográficas dispararam olhares em direção a cidade-ilha. Protegidos pelo costado da embarcação, turistas procuravam o melhor ângulo para eternizarem aquela imagem. Com a colaboração da tecnologia, não ouvirão "isso parece história de pescador" quando contarem de suas andanças pelo Rio Grande do Norte.

Vista de Galinhos

     Para usufruir do mar de Galinhos, é preciso antes gostar de estrada. Saímos de Natal por volta da 7 horas e enfrentamos 160 quilômetros de reta. Não é bem uma reta, mas é quase. O asfalto lembra um tapete com algumas ondulações . Saindo da capital potiguar, segue-se placas para Ceará Mirim, João Câmara, Jandaíra, Macau e Guamaré. O acesso para Galinhos fica entre Jandaíra e Macau. Mais precisamente, quinze quilômetros depois de Jandaíra. Sabendo ler e estando sóbrio, não tem como errar. 

É assim quase todo tempo
Entrada fica no lado direito da BR
     Pratagil. Não confunda com o apelido da filha de Gilberto Gil. Pratagil é o ponto final para os veículos que tomaram o rumo de Galinhos. É um estacionamento mantido pela prefeitura da cidade e com vigilância 24h. É gratuito, embora o vigia Marcelo oriente os desavisados que "se o senhor quiser colaborar...". Colaboramos com R$ 5,00 para cada carro e ele não foi nem um pouco econômico no sorriso. 

Vigia faz cadastro de cada carro e seu motorista


Estacionamento municipal de pratagil
     Deixamos os carros e fomos direto para o píer. 28 barcos fazem o transporte de passageiros. O trajeto não demora 10 minutos. Quanto custa? " Dois reais por cabeça", respondeu um nativo. 
Caso o barco demore...
Quem espera é o transporte, não o cliente
Ao fundo, Galinhos
Chegamos
Hora de desembarcar
      "Galinhos é uma ilha ou uma península, Gilead?", pergunta o leitor mais curioso. "As duas coisas, mô filho". Na maré baixa, uma tira de areia emerge e liga galinhos ao continente. Com um veículo 4X4, ou de buggy, é possível vencer o desafio. Quando a maré começa a encher, Galinhos volta a ser ilha. Ilha ou península? Depende da hora. Por esse motivo a cidade quase não tem veículos, salvo um ou outro buggy desmiolado. Taxi aqui, camarada, é charrete. E logo que cheguei, tratei de conseguir a minha. Não foi difícil, tem sempre uma esperando a chegada dos turistas. Olívia foi encarregada de nos puxar pela estreitas ruas do vilarejo. Paralelepípedo, só em duas ruas principais. As demais, vielas assoalhadas por claras areias.Antiga vila de pescadores, ganhou o nome de Galinhos devido a presença de pequenos peixes galo.

Olívia, motor de um só cavalo
Até que era confortável
Quem vai à praça tem direito a música
     Cinco minutos depois, a cidade já não tinha mais o que esconder; ao menos no perímetro, digamos, mais urbano. Aí alugamos um barco para um passeio pelos arredores da ilha. Chorei um pouco e consegui por R$ 130,00. Economia de R$ 20,00 e um barco só nosso. Visitar Galinhos e não fazer o passeio é como ir ao Rio e não ver o Vasco jogar. Tudo bem, tudo bem, Flamengo, vai. 

Salinas Diamante Branco -sal in natura

     O passeio descortina manguezais ricos em caranguejos, ostras e mariscos. O turista tem direito a mergulho em praias desertas - como a do capim - e um almoço na ilha de Galos. As dunas, vistas isoladamente, parecem o Saara. Nelas, a Rede Globo gravou cenas da novela Cama de Gato. "O senhor assistiu?", perguntou-me o proeiro do barco, Luciano Siqueira da Silva, 29 anos. "Se as novelas dependerem de minha aldiência, estão perdidas", respondi. "Eu trabalhei na produção. Levava o material da equipe. O Marcos Palmeira é gente boa; tratava todo mundo bem. Mas tinho outro ator que era muito besta; não falava com ninguém", contou o galinhense.

Que tal um mergulho?

Praia exclusiva

Tem alguém aí?
Ilha de Galos
Cabe ao proeiro Luciano amarrar o barco
Hora do almoço
Para quem prefere água doce...


Ainda no tempo de antigamente
     Depois de um almoço com vista para o mar, claro, encaramos o balanço do barco e voltamos a Galinhos. O mestre da embarcação, Francisco de Assis da Silva, 53 anos, era pescador de lagostas . Tem 40 anos de marinheiro. É pai de luciano e divergem quanto ao comando do barco: "na verdade, eu sou o mestre e ele é meu proeiro; porque eu tenho curso e ele não", esclarece Luciano. O proeiro é o encarregado do serviço mais braçal - amarra e desamarra o barco, joga e puxa a âncora, etc. Tronco, como Francisco é conhecido, afirma que a vida ficou melhor com o turismo: "ganho um pouco menos do que com a lagosta, mas é mais tranquilo. A pesca era muito arriscada; muita gente morria." Quando nos aproximamos de galinhos, uma embarcação diferente atraiu minha atenção: "é o barco que leva os alunos para fazer faculdade em Macau", explicou Luciano. 





Taxista de plantão

     17h. O sol já bocejava. Era o sinal que eu precisava para voltar. Outra vez, pegamos o barco e navegamos pelo rio Aratuá em direção a Pratagil. "Eu volto", prometi a mim mesmo.


Ao fundo, usina eólica em Guamaré
Pena que o sol se põe tão cedo por aqui


Mais sobre a cidade
População: 2.126 habitantes (IBGE 2010). Na ilha não tem, pelo que percebi - baseado no número de residências, por exemplo -, mais do que 1.000.
Segurança: 03 policiais. De acordo com alguns moradores, não têm o que fazer. A criminalidade é zero.
Área: 342,44km2
Emancipado em: 1963.

Outras fotos de apoio:

Wanderlei ao lada da esposa - admirado com o lugar
Tronco - mestre ou proeiro?



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Édipo sem complexo

    Quem nunca ouviu falar no Complexo de Édipo? Quem não conhece o tal complexo, de certo tem ideia de quem seja Édipo. Um bom leitor tomou conhecimento do “pé inchado” – significado, em grego, do nome Édipo – certamente por intermédio da Odisseia de Homero, ou pela leitura de uma obra de Sófocles. Um brasileiro autêntico, sabe alguma coisa do rapaz porque assistiu a uma novela da emissora de Roberto Marinho. E se você, amizade, é admirador de Sigmund Freud, é sabedor da interpretação que a psicanálise freudiana concebeu ao episódio mitológico. Nem novela Global, nem elucubrações libidinosas do famoso austríaco me interessam. Importa-me, mesmo, é a atitude de Édipo ao descobrir que desposara a própria mãe: vazou os próprios olhos e fugiu de Tebas.

     Resumindo a história: Édipo era filho dos reis de Tebas, Laio e Jocasta. Laio foi informado, através do oráculo, que o menino o mataria e casaria com a própria mãe. Não teve dúvidas, mandou que o pimpolho fosse abandonado em um bosque, pendurado pelos pés, para morrer à míngua. Encontrado por pastores, Édipo foi levado a Corinto e adotado pelo rei Políbio. Cresceu sem saber nada sobre seus genitores. Mais tarde, ao ser chamado de filho postiço de Políbio, deixou Corinto. Em sua viagem, teve que duelar com um homem que não sabia quem era. Matou Laio. Chegando a Tebas, desvendou o segredo da Esfinge que atormentava os tebanos e recebeu como prêmio a mão da bela viúva de Laio. Depois de alguns anos, soube que Jocasta era sua mãe. Édipo, então, vazou os próprios olhos e se foi de Tebas.

     A atitude de Édipo, passada batida por muitos, que me chama a atenção é o código de ética dele. Hora, paisano, Édipo não cometeu crime algum quando casou com a mãe. Ele não sabia de quem se tratava. Jocasta foi um prêmio que ele, como benfeitor dos tebanos, recebeu. Mesmo assim, sentiu vergonha. Ele não fez nada de ilegal; sentiu-se, entretanto um imoral. Ontem um deputado americano, Christopher Lee, renunciou ao cargo na Câmara de Representantes dos Estados Unidos. Não roubou, não matou e nem cometeu crime previsto em lei. Foi, contudo, imoral. E renunciou. Bem que nossos homens públicos, como José Dirceu, Antônio Palocci e Pedro Novaes – ministro do turismo que fez uma orgia em um motel maranhense e botou a conta para a câmara pagar -, só para citar alguns, poderiam aprender com Édipo e fugir para o Afeganistão.



sábado, 15 de janeiro de 2011

Passeio de buggy pelas dunas

     Quem visita Natal, comete um pecado se não for andar de buggy pelas dunas. O passeio começa às 8h e termina às 16h.





Durante o passeio uma moça gritou amedrontada, devido as manobras "com emoção" que o bugueiro realizava. Ele tratou de acalmá-lá: "Faça como eu, feche os olhos".


O passeio é, antes de qualquer coisa, terapêutico.


Em Natal são quase mil bugueiros credenciados pela Secretaria de Turismo, fazendo passeios pelos litorais sul e norte. Cada buggy leva 3 ou 4 turistas. O almoço na beira da praia ganha um sabor todo especial.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Intolerância religiosa

          Um colega meu foi preso próximo as pirâmides do Egito no último dia 18. O que ele estava fazendo lá? Ele é representante de uma empresa de turismo egípcia. Estava com dois turistas. Sei que não é nada engraçado ficar sob custódia dos verdugos egípcios, mesmo assim usarei uma piada para explicar o acontecido.

          Duas horas da manhã. Toca o telefone. A voz apavorada no outro lado da linha suplica: - Oi, Arnaldo. Aqui é o Antenor. Fui preso, cara. Podes vir aqui me soltar? - Arnaldo, advogado criminalista, pergunta: - Por que te prenderam, rapaz? – Por nada, Arnaldo. Eu não fiz nada. – Arnaldo arremata: - Pois então não vou. Se estão prendendo quem não fez nada, é capaz de me prenderem também.