Dizem que os homens são mais fofoqueiros do que as mulheres. Não sei se é verdade. Que são mais invejosos, sei que são. Sempre desconfiei da inveja masculina. Nós, homens, adoramos botar essa pecha nas mulheres. Afirmamos com a convicção própria dos mentirosos, que o sexo feminino é invejoso, mexeriqueiro e “otras cositas más”. Quanto à inveja, entretanto, o Zuenir Ventura apresenta, no livro Mal Secreto, dados incontestes de que o homem é o supremo dominador do assunto. Até porque o homem vem comandando o planeta há séculos. Cá entre nós, a história da humanidade é puro conflito de interesse entre ditadores invejosos. Voltemos à fofoca. Será que no quesito fofoca os marmanjos também ganham da mulherada?
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A mulher que jogava futebol
Comprou o terreno no melhor local que o bolso viu. Construiu a casa aonde iria morar até ficar com os cabelos nevados, as juntas encarangadas e a voz sonolenta. Numa rifa ganhou a companheira amada, idolatrada, salve salve do Brasil. Tudo bem, tudo bem, não conheceu a mulher no jogo. De tão bela, amável e intrépida, a abençoada mais parecia um prêmio. Os pombinhos tinham amigos em quantidade considerada. O homem gostava - e como gostava! – de jogar futebol. Não tinha a menor intimidade, contudo, com o brinquedo que levou o Brasil ao delírio em 1970 no México. Nas peladas, era sempre o último a ser escolhido. E o último, para ser sincero, não é escolhido. Escolhido é o primeiro, é o segundo, é o terceiro. Depois é tudo banana do mesmo cacho. O último, embora nem precise dizer, é o pior de todos. E o nosso amigo era quase sempre o derradeiro. A não ser quando aparecia algum que estava mancando devido ao dedão quebrado. Voltemos à casa.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Sai da frente, idiota!
Quando Ayrton Senna empunhava a bandeira brasileira, depois de uma corrida de fórmula um, meu patriotismo beirava o céu. A voz esfuziante do narrador não deixava dúvidas: estávamos diante de um mito do automobilismo. E esse semideus era do terceiro mundo. Quando nós, tupiniquins pisoteados, saíamos da frente da telinha e pegávamos o volante das nossas carroças, era um desvario total. Cada cidade, por pior que fosse, era uma Mônaco. Cada rua, por mais buraco que apresentasse, era uma reta dos boxes. Cada pedestre, ainda que involuntariamente, era um torcedor fanático. Cada apitaço de guarda de trânsito, uma bandeirada. Cada Passat de pneus carecas, uma impávida Lótus preta. Cada carro lento, à nossa frente, um retardatário a ser ultrapassado.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Pra lá, calo safado
No último sábado eu estava conversando com um jogador de voleibol que atua na Europa. Ele é brasileiro. Falou da vida que leva no velho continente, do clube onde trabalha e do país onde vive. Jovem e vaidoso, não pôde deixar de contar da vida amorosa. “Namorei a ex de Ronaldo”. Gente do céu, não acreditei. O guapo se propôs a provar: “No próximo mês ela vem me ver”. Quase que eu tinha um troço. O cara namorou com a moça que namorou Ronaldo, o craque português! E eu, justamente eu, mais iluminado que o anjo Gabriel, terei a honra de conhecê-la. Entrei em crise só em pensar na ideia. Ele assegurou que me apresentará à moçoila. Acho que vou ter um troço.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
"Meu filho é homossexual"
Tenho uma amiga que nasceu em Mossoró, interior do Rio Grande do Norte. Entretanto, antes que um mossoroense fique irritado e me insulte, o lugar não é um interior qualquer. É a segunda maior cidade do estado, e fica mais próxima de Fortaleza – 260 km -, do que de natal – 270. Fiz a ressalva porque existe uma rivalidade danada entre Natal e Mossoró, e sendo eu natalense... Mas o que interessa, nesta crônica, é a minha amiga. Pois bem, ela era funcionária do Banco do Brasil e trabalhava em uma agência aqui, em Florianópolis. O fato que vou relatar se passou há uns quinze anos.
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