Reditário
Cassol é o nome do cidadão. Cidadão, não, senador. Político, no Brasil, assim
como jogador de futebol, está em outra casta – a mais elevada. Reditário –
pasme, mas é nome de gente – botou a boca no microfone do senado para dar
porrada em presidiários. Com um discurso capaz de enganar crianças de três a
quatro anos, o lindão rugiu: “Senadores, precisamos modificar um pouco a lei
aqui no nosso Brasil, que venha favorecer sim as famílias honestas, que pagam
imposto para manter o Brasil de pé e não criar facilidade para pilantra,
vagabundo, sem vergonha, que devia estar atrás da grade de noite e de dia
trabalhar, e quando não trabalhasse de acordo, o chicote, que nem antigamente,
voltar". Pra ser sincero, acho até que o cérebro de piolho está certo
quando reclama que pilantra, vagabundo e sem vergonha deveria estar vendo o sol
nascer quadrado. Pois foi isso que pensaram os franceses em 1790. Revoltados com
o sistema de governo, quase mil pessoas invadiram a prisão da Bastilha,
esfaquearam até a morte o governador (Bernard-René de Launay) e chutaram a tirania real para escanteio. A queda da Bastilha
significou que o poder estava mudando de mãos. Passava daqueles que discutiam
mudanças para aqueles que faziam alguma coisa para alcançá-las. É, Reditário,
dá ideia, dá.
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Nem tudo que reluz é ouro
Olha o título da matéria que li, há pouco, no clicrbs: “Maconha é encontrada dentro de papel higiênico no Presídio de Blumenau”. Como dizia o narrador de futebol, Sílvio Luiz: “pelas barbas do profeta”. Isso é o que eu chamo de incrível. Merece, realmente, um título. Um supertítulo, eu diria. O autor da chamada procura atrair a atenção do leitor com algo que deveria, eu disse deveria, ser interessante. Uma nova maneira de traficar, algo inusitado, que o leitor não sabia que existe. Entretanto, lendo a matéria completa, constatei o óbvio.
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