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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Se beber, não case! 2 - assista e vomite

     Você pagaria, meu brother, para ouvir uma palestra em que quatro ou cinco homens pregassem escancaradamente que cocaína e outras drogas do gênero deixam a vida mais divertida? Você pagaria para ouvir norte-americanos ridicularizando outros países? Você pagaria para ouvir que nações consideradas pobres, como a Tailândia, por exemplo, precisam de um estadunidense para torná-las mais ordeiras? Você pagaria para ver conterrâneos de George Bush zombando de religiosos budistas? Você pagaria para ver - e daria risada ainda por cima – gente civilizada exibindo um macaco fumante? E se esse mesmo macaco fosse um aviãozinho do tráfico, você aplaudiria? Você pagaria para ouvir um punhado de ianques alardeando que esbórnia, quebra-quebra e desrespeito a outras culturas é uma coisa engraçada? Não?! Pois eu paguei.

     Meio a contragosto, mas paguei. Não só eu, como milhares de pessoas em todo o mundo. E nesse aspecto, louvemos os norte-americanos. Os caras conseguem rir da cara - os caras rindo da cara é horrível - dos não-norte-americanos e ainda os fazem pagar pelos gracejos. E fazem isso no formato filme. Se beber, não case! 2 é uma dessas películas que lotam as bilheterias dos cinemas. Não me tenha por puritano ou algo semelhante. Muito menos como um taciturno incapaz de gargalhar. O filme é uma apologia às drogas, sim. E o faz isso sob a máscara da comédia. Claro que um parvo vai dizer que euzinho aqui não entendeu o “espírito da coisa”. Vai procurar um marido, respondo a esse filhote de demência. Tem mais:

     No filme, um velho monge budista é sacaneado por turistas estadunidenses em plena Bangkok. A capital tailandesa é mostrada como se fosse um antro onde se aninha tudo o que não presta no mundo. É aquela mania que alguns países têm de se acharem o umbigo do mundo e que o resto, ao pé da letra, é puro resto. A bebedeira é mostrada como algo engraçado, inocente e para ser aceita como tempero da vida. A cocaína é retratada como um ingrediente saboroso capaz de deixar o usuário mais descontraído e menos chato. Lógico que vai ter um discípulo de lúcifer me mandando email e me chamando de otário, quadrado, antiquado. “Não sabe nem ver um filme, babaca”, dirá o celerado. O fato é que tenho mais de um neurônio. E são suficientes para me fazerem ver o que está por trás – e até pela frente – de uma película como a que me refiro.

     Paguei, paguei para rir da desgraça. Paguei para rir do grotesco, do bizarro, da incultura. E agora, meu Deus do céu? O que fazer para redimir minha pobre alma? Também não é para tanto, Gile. Já estás arrependido. Chegaste até a escrever esta crônica purgatória. Oxalá Palocci fizesse o mesmo. E que igual fizesse FHC, Sarney, Gilmar Mendes e outros artistas tupiniquins. Na comédia chamada Brasil, o choro das crianças famintas, a morte por descaso na segurança pública e a corrupção endêmica roubariam a cena. Mas ai, em se tratando de roubo, a disputa por melhor ator seria acirrada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Rambo 24, Stalonne sai do armário

          No último fim de semana fui ao cinema assistir Rambo 23. Na verdade o nome do filme é Os Mercenários. Mas bem que podia ser Rambo 23. Stallone se apresenta, ou pelo menos tenta, como se fosse o saradão Rambo de 1982. A boca torta do ator, consequência do fórceps utilizado em seu parto, tem a companhia de paralizados músculos faciais - frutos de plásticas, botox e delicadezas do gênero. E chamo o longa-metragem de Rambo 23 porque o próximo filme do americano será Rambo 24, Stallone Sai do Armário. Como eu sei disso? Elementar, paisano. É como acontece no livro Crônica de Uma Morte Anunciada, do jornalista colombiano Gabriel Garcia Marquez. Nele, o personagem principal, Santiago Nazar, é condenado à morte desde o início. O nobel de literatura inicia o texto informando que Santiago morreu. Mesmo assim o leitor é levado a acreditar que o bonitão não vai se dobrar à foice da "marvada".  No fim do livro, Santiago, conforme prometido, sucumbe. 

          Os 64 anos de músculos não me engana, nem engana o DJ Maluco: "Tu é gay, tu é gay que eu sei". Stallone aproveita o cenário do lindo município de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, para soltar a franga. Venhamos e convenhamos, senhoras e senhores, o velho Rock Balboa dá cada escorregada que não engana nem meu inocente avô, que já se foi ha décadas. Vale a pena assistir. O filme é uma mistura de Rambo, a Gaiola das loucas e Tratamento de choque. Se você tem um olhar não muito ingênuo, perceberá uma crítica ao presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Fica evidenciado a arrogância "libertadora" dos americanos. O que não fica claro é o papel de Arnold Schwarzenegger. Muito menos o de Bruce Willes. Eles fazem uma pontinha, talvez, que fique claro, para apoiar o colega Stallone em sua missão de virar borboleta.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dica de filme

Que tal aproveitar o fim de semana para assistir a um filme bom? Minha dica é: Uma onda no ar.

          O filme Uma onda no ar é a história da Rádio Favela. E quando digo que é uma história, me refiro àquelas narrações para serem contadas de geração a geração. O filme conta o sonho, o drama e a vitória de quatro amigos que idealizaram a criação da Rádio Favela, uma rádio comunitária de Belo Horizonte/MG. A ideia da rádio surgiu da necessidade que os jovens amigos sentiram de levar a voz dos moradores locais ao rádio. Inconformados com as transmissões radiofônicas que excluíam os pobres do morros, os rapazes perceberam que a linguagem, a temática e as músicas veiculadas pelas emissoras não comunicavam a realidade dos marginalizados pela sociedade.