Foi no dia 2 de outubro de 1992. Não lembra? O massacre do Carandiru. Começou quando Barba e Coelho, dois detentos, resolveram brigar no pavilhão 9. Outros presos jogavam bola sob os olhares de companheiros que não tinham coisa melhor para fazer. Barba possuía muitos amigos, Coelho também. No dia 2, dois grupos se formaram democraticamente. Cada presidiário podia escolher entre Barba e Coelho. Em segundos a confusão se generalizaria. Gritos, socos, facas, estiletes, punhais, colchões, fogo, sangue e morte. Faltava menos de duas horas para o lugar se transformar em Pandemônio, a capital imaginária do inferno. Faltava a Polícia Militar. Ela veio e trouxe na algibeira, 111 cadáveres.