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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A antinet nada

Pensem nas crianças 
Mudas no orkut
Pensem nas meninas 
Cegas facebook
Pensem nas mulheres 
Pages bagunçadas
Pensem nos emails 
Como autoestradas.

Mas não se esqueçam 
Da mãe internet
Internet deusa
Guia, escravocrata
A internet vírus
Babaca e molestada
Net gangrenada
A antinet micro
Sem vida, sem braço
Sem gente, sem nada.
 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dói

Dói.
Dói ver os processos espúrios usados na elaboração das legislações. Independente de quais leis estejamos falando, há sempre uma mão maior fazendo os dados indicarem os números desejados.

Dói.

Dói ver o modo manipulador como a democracia é legitimada. O que é uma eleição, senão uma licitação com vencedor previamente arranjado? E sempre haverá um coitado fazendo oposição, como se os votantes acreditassem que ele tem alguma chance – e a velha luta de Davi contra Golias é sacanamente lembrada. Pobre bíblia.

Dói.
Dói perceber que a sociedade corrompida, corrupta e corruptora, ainda se acha digna de cobrar honestidade. Mão na consciência, meu caro, morreu com os homens da caverna. Com a ideia fixa de que no caso de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, enveredamos pela senda da maldade, da ilicitude e da imoralidade. E esse atalho, paisano, foi legalizado por nossas mentes calcinadas, doentes e dementes.

Dói.
Dói olhar de lado e ver a mentira com a sua chaga purulenta, fétida e repulsiva, travestida sob um resplandecente manto de limpeza, pureza e lisura. E nós, com nossas narinas insensíveis, adentramos a tenda da maligna com o peito esfuziante, e nos colocamos sob sua temerária proteção. Compramos um bilhete para o céu e embarcamos em um vagão rumo ao inferno.

Dói.
Dói o bombardeio de retórica que mina o quintal de nossas almas. Um dia nosso espírito teve jardins floridos como os suspensos da Babilônia. Ah, isso foi no tempo em que Bumba meu boi era bezerro, simpatia. Nossa não-matéria degringolou. Por dar ouvidos a ensinamentos frutos de mentes obscuras, caímos todos na vala comum. A vala da cegueira, da idiotice e da insensatez. Ah, “alma minha gentil que te partiste”.

Dói.
Dói olhar grandes olhos incapazes de discernir a mão direita da esquerda. Pés que correm à sepultura como se estivessem subindo a um palco. Braços que não abraçam no caminho escuro, esmurram. Bocas que não beijam, somente escarram. Palavras que não saram, matam.

Dói.
Dói, e de tanto doer, acho que nem sinto. De tanto gritar, acho que nem emito som. De tanto chorar, acho que lágrimas não rolam mais. Só resta a dor. E dói.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Um sol, pelo amor de Deus

     Dê-me um sol, pelo amor de Deus. Pode ser um fraquinho, como é o atual time do Vasco da Gama, do Figueirense e de uns tantos outros. Pode ser morno, como funcionário público desmotivado que mal abre a boca quando atende o cliente. Pode até durar pouco mais de uma hora, como o verão londrino. Importa-me apenas que seja um sol. E que sendo sol, por mais safado que seja, espante o dilúvio que se abate sobre as cidades de Santa Catarina. E que sendo sol, por mais cruel que seja, sensibilize-se com o sofrimento dos catarinenses e enxote as águas destruidoras que insistem em cair diuturnamente neste torrão.
   
      Dê-me um sol, pelo amor de Deus. Pode ser um magrinho, como o salário mínimo que mesmo raquítico insiste em durar mais de uma semana. Pode ser chato, como a torcida do Flamengo que agora quer botar Ronaldinho Gaúcho na Seleção. Pode ser imbecil, como o motorista que trafega pelo acostamento para não ficar na fila. Pode até ser sacana, como o político que investe milhões numa campanha que lhe trará vastos dividendos. Basta-me que seja um sol. E que sendo sol, ainda que mirrado, use seu “abracadabra” e faça os morros secarem. E que sendo sol, por mais chato que seja, apiede-se do Estado que recebeu imigrantes europeus sem perspectivas no século passado. E que sendo sol, ainda que estúpido, lembre-se que este pedaço de terra entre o Paraná e o Rio Grande do Sul já não suporta mais tanto aguaceiro.

    Dê-me um sol, pelo amor de Deus. Que seja sol. Pouco ou muito, quente ou morno. Dê-me um sol. Fraco ou forte, abrasivo ou ameno. Dê-me um sol e estaremos conversados. Janeiro foi pura água. Fevereiro foi uma chuvarada só. Março já ta pela metade e a chuva não esmorece. Dê-me esse danado desse sol, homem.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A realidade não é colorida

A realidade que eu descobri
É bem diferente da que me mostraram
Nos bancos dos jardins.
Onde os artistas contracenam
Em meio a rosas, orquídeas
Violetas e jasmins.
O mundo me sorriu em preto e branco
E pelas ruas das cidades, o que eu vi?
Pedaços de pessoas procurando
Quem sabe ser feliz.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um calção velho, uma manga e uma vida besta

          “Um velho calção de banho”, cantou o poeta. Nada muito complicado. Coisa baratíssima. Pode ser o suficiente para alegrar o bendito possuidor. Não é preciso um iate de luxo. Muito menos um jatinho. Uma roupa desbotada pode ser mais do que perfeita para deixar feliz quem a usa. A felicidade é um alvo no qual miramos diuturnamente. O interessante é que as caras “amarradas” se multiplicam ao nosso redor. Será que atiramos tão mal? Qualquer “todavia” é motivo de separação entre casais. Um simples e educativo “não” é mais do que suficiente para um terneiro mamão se achar no direito de não falar com a mãe. Ou com o pai, se o bovino for presente. Queremos mais, queremos mais, queremos mais. A lógica consumista invadiu lares, do mais pobre ao abastado. Um bebê chorão de dez anos não suporta o peso de viver sem uma internet velocíssima. E pensar que eu brincava de ser fazendeiro – e lá se vão algumas décadas, Jesus Cristo! – espetando palitos em pequenas mangas e transformando as frutas em nelores, zebus e charolêses. Os palitos eram os pés dos quadrúpedes. Ah, cheguei a abastecer os maiores frigoríficos da América latina. Enricava enquanto trajava um legítimo calção vagabundo, verde com umas listras brancas. Debaixo da árvore eu comprei uma motocicleta, um opala e um sítio com gado de verdade.

         O tempo vai passando e nossos sonhos vão se concretizando. Um e outro se perdem na estrada do destino. As velhas mangas agora são milhões de reais a serem perseguidos. E as conquistas não trazem sorrisos descomprometidos. Carregam a insônia, a preocupação e os remédios. E me pergunto se aquela “vida besta, meu Deus”, da qual falou Drummond, era mesmo besta. Pensando nisso, eu comprei um jogo de dardos. Sempre quis ter um. Não é um brinquedo caro. Não me pergunte o motivo de não tê-lo adquirido antes. Talvez os bens mais caros tragam mais status. Mesmo sem perceber, somos engolidos pelo capitalismo de fachada. A verdade é que passamos o fim de semana espetando o piso de madeira, a parede e, às vezes, o alvo. Verdade é que depois de algumas horas já dominávamos a arte de lançar as pequenas setas de aço. E fiquei pensando no velho calção de banho, nas mangas e na vida besta.

Diversão barata para o fim de semana


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Receita Federal e as eleições presidenciais

          Quem nasceu primeiro, ovo ou a galinha? Se você é criacionista não pensará duas vezes antes de responder que foi, claro, a galinha. Por outro lado, se és evolucionista queimarás algumas pestanas até dar um parecer. A verdade é que a pergunta costuma ser repetida quando surge um assunto polêmico. E ele apareceu, nos últimos dias, na figura da quebra de sigilo fiscal da filha do candidato tucano José Serra. A pergunta que não quer calar, como diriam os provocadores, é: O PT fez o esquema ou foi o PSDB quem armou para tentar reverter a queda livre da revoada comandada por Serra? Para saber a resposta é só raciocinar:
Primeiro, é um jogo sujo.
Segundo, para usar de tais baixezas tem que ser bandido diplomado. 
Terceiro, há de se ter muita cara de pau. E bota muita nisso.
Quarto, é se achar acima da lei, portanto, inatingível.

          Contra o PT os adversários podem alegar que o partido dos trabalhadores quis garantir a vitória a todo preço. Para isso sujou as mãos. Buscou fatos que poderiam usar durante a disputa, caso percebesse o risco da derrota. Para quem acha difícil é só lembrar do caso Watergate. Nixon tinha larga vantagem sobre a oposição. Mesmo assim jogou sujo. Foi caçado e entrou para história como o presidente americano envolvido no maior escândalo de espionagem política dos yanques. Talvez até, do mundo. Pesa também contra o partido os crimes cometidos por alguns dos seus principais expoentes. Quem não se lembra do Mensalão?  Pesa também as alianças feitas pelo PT. O partido é unha e carne com os Sarney, por exemplo. Opa, tem urubu sobrevoando os céus petistas. Assim sendo, cara de pau de acima da lei tem um monte nesse pacote. Bandido diplomado, então!

          E contra os Tucanos? O argumento mais óbvio é o da derrota iminente. Os governistas entendem que esse é o último suspiro antes da morte. Para os caçadores de plantão, os pássaros do bico grande perderam a capacidade de voar. Não tem força nas asas e passaram a gritar como galinhas de angolas. É perfeitamente cabível que o desespero possa levar alguém a cometer tal ato de insanidade. Hora, hora, meus senhores, certos políticos são capazes de vender a mãe. A mãe deles, diga-se de passagem, porque as mães do povo eles vendem todos os dias. Acho difícil acreditar que o PSDB tenha usado de tal artimanha para tentar evitar a derrota nas urnas – derrota que, ao meu ver, nem a Rede Globo pode evitar. Mas quando lembro que FHC e a tucanada vendeu o Brasil... Vais dizer que não lembras das privatizações?! Para quem vende o país, o que é vender a família? Pesa, ainda, contra o partido, as múltiplas CPIs que foram abafadas.

          No final das contas, o que existem são conjecturas. Por mais que raciocinemos, ficamos quase na mesma. Venhamos e convenhamos: cara de pau, bandido diplomado, sujo e acima da lei tem nos dois lados da trincheira. Lembro do poeta Gregório de Matos, o Boca do inferno, quando retratou a Bahia. O leitor, ou a leitora, pode até trocar “Bahia” por “Brasil”.

“De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver,
um furtar, outro foder.

Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta,
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
Esta cidade a meu ver.”

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Buscando uma canção

Eu olho para o céu
Procuro uma canção
Que cante o amor
Que ao coração do homem fale de perdão.

Olhando em minha volta vejo o desamor
Desonestidade, falta de pudor
Solidão, tristeza, incompreensão
Falta um amigo, falta um irmão.
Mesmo assim, sigo meu caminho
Não desisto, não
Sei que ainda existe gente a estender a mão
Alguém que tem valores dentro do coração
Que faz o sol brilhar
Em forma de canção.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Teu amor

Procurei por tantos cantos o amor
Me iludi, lutei, mas, erro não faltou
Já cansado de viver na solidão
Você veio e me estendeu a sua mão.

Então eu quis
Quis o teu amor
Então eu vi
Que tudo mudou.

Teu olhar carinho logo transmitiu
Sensação de bem estar me invadiu
Desde então toda tristeza se mandou
Paz e amor a minha vida inundou.


Foi quando eu quis
Quis o teu amor
Foi quando eu vi
Que tudo mudou.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A erva e o porre

Droga se não fosse tão nociva não teria esse nome
Fruto da morte em papel de seda a fim de iludir o homem
Prometendo uma viagem para um mundo abstrato
Onde tudo é permitido
Onde quimera é fato.

Na realidade essa viagem
É uma volta pro passado
Onde você vai ser vendido
Numa arena como escravo
Escravo sim, escravo do vício
Escravo sim, escravo do vício.

Tanta gente vivendo iludida
Não sabe o risco que corre
Degrada a alma e corrompe o homem
Tanto a erva como o porre
Quando passa o efeito
A realidade aí está
Tua fulga foi frustrada
E o pesadelo volta já.

Na realidade essa viagem
É uma volta pro passado
Onde você vai ser vendido
Numa arena como escravo
Escravo sim, escravo do vício
Escravo sim, escravo do vício.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Deus salve o meu Brasil

Uma poesia para o final de semana. Mas sem esquecer da crise política, que já virou banalidade. Acho que só apelando para a divindade.


Deus, salve o meu Brasil


Desigualdade social
Tantos com tanto e outros mal pra caramba.
Uma pá de políticos distantes da honestidade
São uns crápulas nocivos à sociedade.

E a reforma agrária que não sai
E o salário mínimo que não sobe mais
É um amontoado de pessoas
Que precisam de chão pra plantar
Um pedacinho de terra pra poder trabalhar
Desse jeito te pergunto: aonde vamos chegar
Com essa cambada de safado a nos sugar?

Deus, salve o meu Brasil
Tem piedade desse  povo sofrido e tão varonil
Nos liberta dessas ervas daninhas
Que não sabem o que é política
Que só pensam neles próprios
Deus, salve o meu Brasil.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Gabriela

          Hoje é o dia do aniversário da minha princesa, Gabriela. Coincidentemente também é o meu. Por isso não vou postar uma crônica, não vou protestar contra coisa nenhuma, nem quero lembrar do jogo do Fluminense, ontem. Vou disponibilizar para você, leitor, a poesia que fiz para ela. Eu costumo dizer que todo ano, no dia do meu aniversário, recebo o mesmo presente de Deus. Se eu viver duzentos anos quero receber a mesma dádiva. Hoje é o vigésimo primeiro aniversário da Gabi. Vinte e um presentes que recebo exatamente iguais. Todos os anos, no dia três de dezembro, agradeço a Deus pelo presente que ele me deu: Gabriela.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Nacirema

E aí, beleza?


Sexta é dia de poesia, então, senta que lá vai ela.

Só uma dica: você pode começar de trás pra frente, se quiser.





Nacirema

Somos todos Nacirema, pai, filho, mãe e irmão
Somos todos muito estranhos, uma raça, uma cor, uma nação
Somos todos fotocópias num colorido fugaz
Somos todos em branco e preto, um filme anoso demais.

Nosso corpo é nosso tudo
Nosso externo o conteúdo
Nossa face é nosso ouro
Nossa aparência um tesouro.

Ao acordar nos ajoelhamos diante de um altar
E oferecemos presentes ao deus que dentro de nós há
Acreditamos piamente que a casca é a essência do ovo
E que na beleza consiste a grandeza de um povo.

Acho que, talvez, por isso repudiamos o ET
Pintamo-lo num ser quasímodo que até dá receio ver
Em nossa aldeia narcisa o esquisito está banido
E vivemos como se fosse-mos o único burgo escolhido.

Um olho mais perspicaz verá por entre as brumas da estética
Que o robô vale muito na cultura cibernética
Um quadril e dois seios grandes fazem a mulher ideal
Mas isso, digo de certo, é uma verdade cultural.

Alteridade, etnia e endoculturação
Comportamento desviante, interetnicidade e lógica de uma nação
Determinismo biológico, relativismo cultural e outros mais
São conceitos antropológicos que precisamos aprender e não esquecer mais.

PS: Nacirema é American, ao contrário.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O desejo, o deserto

E aí, beleza? Hoje é sexta-feira e um pouco de poesia pode iluminar nosso finde.

O desejo, o deserto

O desejo tem desertos que o próprio deserto não deseja
O desejo tem desejos que o próprio desejo não deseja
O deserto tem desejos que o próprio desejo não deserta
O deserto tem desertos que o próprio deserto não deseja

O desejo é um deserto desejado por inteiro
Uma confluência de dunas a se espraiar na alma etérea
Consumindo o mortal em chamas, sugando as suas artérias
Buscando o inacessível, amando o traiçoeiro

O desejo busca algo e o acompanha de perto
Nos desterritorializa em busca de sua concupiscência
Esvazia-nos de súbito, nos prestigia em demência
Fica sublime, faceiro, quando percebe o deserto

O desejo se completa em sua essência nativa
quando encontra as quentes terras do deserto interior
É um exílio pra alma e ao mesmo tempo um fulgor
É o mais carnal traço humano a realçar na areia viva

O desejo é um lugar além de todas as glórias
É um agente de ruptura reescrevendo o roteiro
É um rasgar de consciência, um sacrificar o cordeiro
É um somatório de buscas descartando as mais simplórias

O desejo desnorteia o planejado pensamento
Desmistifica o ordeiro, desarticula o contumaz
Desnorteia a ordem imposta, é um quebra rito voraz
Nos conduz aonde o olhar nunca teve conhecimento

O desejo é um deserto a ser desertificado
O deserto é um desejo que está sendo desejado
O desejo, deserdado é um ser desertificado
O desejo é um deserto, um deserto desejado

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não desista de amar


Eu queria ser beija-flor, sempre a voar
Pra falar de norte a sul
Que não desista de amar.

Se eu fosse um arco-íris entraria no teu lar
Pra levar feixes de cores e tua vida iluminar
Se eu fosse um pensamento, à noite, iria te dizer:
Para as coisas fazerem sentido, dependem, muito mais, de você

Mas não sou pensamento, arco, muito menos sou
Sou parte de uma crise, de uma inversão de valor
Porém, existe uma saída, ou uma entrada, a te esperar
Dê uma chance ao amor e esse mundo vai mudar.

Eu queria ser beija-flor, sempre a voar
Pra falar de norte a sul
Que não desista de amar.