Utilização do conteúdo

Autorizo o uso do material aqui produzido, desde que seja dado crédito ao autor e não tenha uso comercial
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de janeiro de 2014

Rocinha - Rio de Janeiro

      Aproveitando a estada no Rio de Janeiro, tirei a manhã de sábado para conhecer a Rocinha. Foram horas perambulando pela comunidade, conversando com moradores, comerciantes e com policiais militares. O resultado são as fotos abaixo.

Entrada da comunidade
Olha os "homi"
Só da Rocinha pode-se curtir este visual
Cada beco desses é um portal para zilhões de residências
Laje é luxo para poucos
Olha a torcida aí, gente!
Laje com vista privilegiada
Os becos não são recomendados aos visitantes
Encontre o beco.  Dica: tem uma placa em cima
E haja fé
Artéria principal da Rocinha é ostensivamente policiada

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Este convite é para você

     Depois de dois anos de trabalho, nasceu meu primeiro livro. E quero compartilhar contigo esta experiência. No próximo dia 11 de março, 20h, estarei lançando a obra "Morte ao Caboclo".

Local: Associação Atlética Banco do Brasil- AABB
Endereço: Rua Desembargador Pedro Silva, 2809 - Coqueiros - Florianópolis/SC
Cep: 88080-701


Valor do livro: R$ 35,00
Conto contigo.


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Berti, agora, é mamãe

     Berti Albuquerque é mamãe. Nasceram os filhos da bicuda. Quem é Berti? Não, não é atriz de novela, cinema ou teatro. Tampouco foi flagrada, duas horas antes de engravidar, com um badalado jogador de bola. Vida de celebridades, meu chapa, não me diz respeito. E se não diz, não me interessa assistir  reportagens de três horas a respeito do suposto filho de um peladeiro com uma também suposta modelo. Esse tipo de matéria - que nem de longe deve ser considerada jornalística - não passa de intromissão na vida alheia. E no dia seguinte, o cidadão sem marido ou sem roupa para lavar não fala em outra coisa: "nasceu a filhinha de fulano; é a cara do pai". O outro responde: "já nasceu famosa; isso que é sorte". Vai te catar, né. Vai limpar um quintal, lavar uma louça ou passar umas camisas. Claro, há outras opções - ler um Hemingway, ver um documentário ou cuidar das próprias finanças. Isso não é notícia, meu filho, é engodo. O nascimento dos filhos de Berti, entretanto, é notícia.
Berti e seus pupilos
 - Quem danada é Berti, Gilead? - está se perguntando o leitor, ou a leitora, mais afoito, ou mais afoita. Berti Albuquerque, simpatia, é a carijó da foto acima que ganhei há poucos meses e mora junto com o galo Berlusconi na República Três Platôs. Batizei a penosa em homenagem a primeira chefe de Estado das Américas, Brites Albuquerque. Esposa de Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, assumiu o comando por lá quando ele foi a Portugal tomar satisfação com o rei. Sim, mudei um pouco o nome da mulher. Achei Brites muito fresco para uma galinha. Berti é muito mais parecido com uma poedeira. O fato é que Berti, depois de 21 dias de encarceramento coluntário em seu ninho, teve filhotes. Cinco. Isso é notícia, paisano. Me diz respeito. O aumento do meu patrimônio em cinco novas cabeças de aves é notíca, sim. 

     Teve época em que eu assistia tudo que era jornal para ficar bem informado. Ainda bem que parei, senão estaria, hoje, dando coice e relinchando. Imagine, camarada, o cara acordar e ligar a televisão em um telejornal. É desgraça na certa. Pense numa maneira de começar mal o dia. "Morreu", grita um; "Crise", alardeia outro; "Avaí na segundona", enche o saco um bastardo. Tô fora. E como é bom ter internet. Claro, você mesmo seleciona o que quer saber. Liberdade, liberdade, liberdade. Não preciso mais de um guia para asseverar o que terei de ficar sabendo. Berti Albuquerque está cuidando de cinco filhotes - um amarelinho do pescoço pelado, um cinzento e três alvinegros. Não, não é um corintiano, outro vascaíno e o terceiro abecedista. 
Berti durante o cárcere voluntário de 21 dias


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Criticar, péssimo investimento

     O chefe chega para o funcionário e diz em tom contrito: “seja sincero, o que você acha da minha administração?”. Se o indagado não tem experiência, ou não se preocupa em ser demitido, deve mostrar as falhas do perguntador. Se, entretanto, conhece alguma coisa da vida, e não quer ficar desempregado, urge que olhe no grão dos olhos do cacique e minta. Minta com força. Rasgue elogios. Ou, se for mais experto, conte apenas o que vê de bom no administrador. Mas nunca, nunquinha critique um ser humano. Nós, e nós significa eu, você, seu vizinho, seu patrão, o prefeito, o presidente da República e o diabo a quatro. Odiamos críticas. Por mais inocentes que elas pareçam. Até mesmo as chamadas “críticas construtivas” são como ferroadas de abelhas no ouvido de quem as ouve. Certamente você, leitor, já ouviu falar em Tristão de Ataíde. Pois veja como ele reagiu quando Rubem Braga – um dos maiores cronistas brasileiros – escreveu uma crônica no Diário da Noite criticando a Igreja Católica.

     Alceu Amoroso Lima – o Tristão – era a maior estrela do grupo de intelectuais católicos dos anos 1930. Era membro do Centro Dom Vital, uma organização direitista “cristã” criada em 1922. O Centro mantinha uma coluna no jornal supervisionada por Tristão. A tal coluna, conforme ressaltaria o escritor Fernando Morais em Chatô o Rei do Brasil, “tentava passar a impressão de ser um espaço de reflexão politicamente de centro, embora fosse uma das mais reacionárias seções da imprensa de então”. E ela existia graças a um acordo entre Chateaubriand, o dono do periódico, e o clero católico. Quando Tristão leu a crônica enviou uma mensagem ao empresário: ou o “desatinado Rubem Braga” era demitido ou ele retiraria a coluna do Centro Dom Vital. Sobrou para quem? Rubem Braga dançou. Alceu Amoroso Lima, “mermão”, que coisa feia, hem?! Coisa feia, sim, mas que fazemos amiúde.  

     Outro dia um amigo meu, que não vou revelar o nome, choramingou nos meus escutadores de forró que o síndico do prédio em que ele morava era um horror. Que era ditador, que não tinha humildade, que reagia muito mal às críticas que ele fazia. Passado um tempo ele assumiu a vaga deixada pelo ditador. Em outra conversa comigo, orgulhou-se de ter dito “umas poucas e boas” para um condômino que veio se “meter a besta” com ele. “Ora, o cara veio querer que eu explicasse tudo que estava fazendo no prédio, e se achou importante o suficiente para me dar sugestões e criticar minha administração. Imagine se eu iria aceitar”, garganteou. Eu só não disse que ele era um babaca para não perder a amizade. É, paisano, fico com uma certeza que se agiganta a cada dia: só criticar quando tiver preparado para uma rebordosa.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O jogador que beijou muito

     Não, não sou saudosista. Não superestimo o passado. Não digo que os tempos idos foram melhores do que os atuais. Seria imprudente falar assim. Não recordo apaixonadamente o fato de ter direito a um par de sapatos por ano. E era assim na minha infância. Mas como esquecer o primeiro kichute que ganhei? No início dos anos 1970, esse calçado fez sucesso no Brasil. Era um misto de tênis e chuteira. E a meninada adorava. Imagine só: a gurizada, ao mesmo tempo em que ia estudar, estava prontinha para uma partida de futebol. E isso, depois da conquista do tricampeonato de futebol pela Seleção Brasileira no México, foi como mel na chupeta. A Alpargatas, fabricante da marca, chegou a vender 9.000.000 de pares em determinado ano. O pirralho que não tivesse um, não era gente. Quando fui presenteado com um, foi a glória. É legal lembrar-se disso, mas é um tempo que se foi. E o prazer de ganhar um kichute não supera, nunca, a dificuldade pela qual passávamos. Hoje, tudo é mais fácil. As diversas marcas de tênis desfilam nos pés da macacada como se fossem chuchu na serra. O passado uso como lição, como aprendizado, como escola. Por isso não sou saudosista. Até prefiro os dias atuais. É, mas tem umas coisas da chamada modernidade que não entram na minha cachola.

     O futebol, por exemplo. Já contei, em outras crônicas, que o rádio de pilhas fez meu imaginário ganhar ares de Spielberg. Com o passar do tempo e o advento da televisão, as partidas futebolísticas tornaram-se produto comercial. E nada mais que isso. E como tudo que envolve dinheiro merece, no mínimo, ser questionado, desiludi-me com o esporte bretão. Continuo gostando do danado, mas não acredito nem um pouco em sua lisura. Até que é aceitável o fato da modalidade ter virado comércio, pois o mundo é puro comércio. O nascimento é um comércio, viver um comércio, o casamento é um comércio, e até a morte – por incrível que pareça – é puro comércio. Tem coisas, entretanto que passam dos limites.

     Ontem, assisti 15 minutos do jogo entre Real Madri e Barcelona. O futebol jogado pelas duas equipes era infinitamente pior do que o das peladas que participo na AABB de Floripa. O problema é que, além do péssimo futebol, o telespectador ainda tem que ouvir asneiras de pseudos-jornalistas. Em determinado momento, ao se referir a um atleta do Barcelona, o narrador esbaldou-se: “Ele beijou muito na boca nesse final de semana”. O ignorante profissional nem ao menos sabe a sutil diferença entre fim e final. E é fácil: só tem final quem tem inicial; quem tem início tem fim, não final. Assim sendo o tal jogador, caso tenha beijado muito, o fez no fim de semana, nunca no final. Língua portuguesa à parte, mas continuando em matéria de língua, o que eu tenho a ver com os beijos de um peladeiro? Será que o tal narrador pensa que disse alguma coisa importante e que tenha a ver com o futebol? Ou o cara é viciado em novela, apesar dele não ser da Globo? Aí não tem jeito, paisano, “que saudade do meu rádio de pilhas”.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

101 dias em Bagdá

     Quer ler um bom livro? E quando digo bom, refiro-me a forma como é escrito, na abordagem de quem escreve, na beleza e leveza do texto, e, acima de tudo, no peso do conteúdo. 101 dias em Bagdá é tudo isso. Åsne Seierstad, a jornalista norueguesa autora de O livreiro de Cabul, conseguiu prender minha atenção até o fim das 383 páginas. A moça foi para o Iraque dias antes da invasão do país pelos empregados de Bush filho. E narra, com muita riqueza de detalhes, o dia a dia de um correspondente internacional naquele país. Conta como, na busca pela informação, subornou funcionários iraquianos – um dilema ético da profissão. Sem economizar em personagens, procura mostrar o dilema dos iraquianos nos dias que antecederam a destruição do país. A obra divide-se em três partes: O antes, o durante e o depois.

     O antes é, conforme o termo sugere, como estava Bagdá e seus moradores na véspera dos ataques. A maioria parecia não acreditar na invasão americana. Outros ansiavam pela queda de Saddam, mas não pretendiam ser governados por ocidentais sedentos de petróleo. O durante, mostra os horrores da guerra. O morticínio de inocentes. O massacre a civis e a derrota das forças leais ao tirano que espezinhou a antiga caldeia por mais de trinta anos. O depois é um relato de 4º páginas mostrando o caos gerado no país durante os primeiros dias da ocupação americana. A desilusão dos iraquianos, a prepotência dos conquistadores e a certeza de muito, muito sofrimento.

Vale a pena ler o livro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Para com isso, rapaz

         O cidadão compra um terreno, contrata um escritório de arquitetura e constrói uma casa de alto padrão. Outro indivíduo, menos endinheirado, adquire uma casa de dois dormitórios financiada em 456 anos. O que as duas residências terão em comum? Até Ana Maria Braga é capaz de acertar a resposta: um lugar para guardar tralhas. E sempre temos coisas sem valor para esconder das visitas. Quando um amigo, ou amiga, combina de aparecer, nos preocupamos logo em limpar a sala, ocultar hábitos cotidianos e simular organização. Lógico, tem gente que faz isso normalmente. Outros, entretanto, precisam de um empurrãozinho. E não adianta o visitador implorar, não vamos mostrar a bagunça. Essas coisas não devem ser compartilhadas, a não ser com os de casa. O interessante é que agimos assim também com nossos valores abstratos. Costumamos expor comportamentos tidos como saudáveis, camuflamos, digamos assim, sentimentos menos toleráveis – cólera, avareza e inveja, por exemplo.

          Quando criança – e lá se vão décadas, meu Deus! – sempre que este incircunciso cometia algum ato falho em família, dona Margarida advertia: “Costume de casa vai à praça”. É a mais pura verdade. Nossos hábitos particulares são levados à coletividade. Nossas, praças, ruas e avenidas são tsunamis de ações individuais que quando somadas causam horror. O que acontece é que acostumamos nosso olhar. Não nos impressionamos quando vemos mendigos dormindo sob marquises de lojas. Fazemos ouvido de mercador quando ouvimos pessoas vendendo pessoas em pequenos panfletos nas vias mais movimentadas. Ignoramos os andrajos humanos que se deterioram pelas sarjetas suplicando uma dose a mais. Não “estamos nem aí” se o miserável não tem banheiro público para fazer suas necessidades básicas de asseio. Ficamos indignados, porém, se um mequetrefe se atreve a retratar essa realidade.

          O jornal“Folha de São Paulo traz hoje uma matéria cujo título é: "Google Street View" gera polêmica com imagens constrangedoras pelo país. Depois relata quais são as tais imagens: “Um homem de olho nos cartazes de um cinema pornô, uma prostituta e um travesti com os seios ao léu, um bêbado caído na sarjeta, um rapaz coçando o sexo, alguém passando mal numa poça de vômito e um pedestre defecando na calçada”. Ora, ora, simpatia, deveríamos ficar revoltados com nosso modo de vida. Injuriados com os homens que elegemos para nos governar. Não, aceitamos passivamente nossas mazelas. E depois achamos ruim quando alguém, por motivos os mais diversos, abre nosso quartinho de tralhas e descobre nossas mazelas. Voltando a minha infância, recordo um locutor que sempre dizia: “Se você não quer que os fatos sejam divulgados, não deixe que os mesmos aconteçam”. Deu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sexo e droga na imprensa tupiniquim

          Aos nove anos começou a fumar. Pegava bitucas de cigarro do pai. Aos 12 começou usar maconha. Repetiu a quinta série três vezes e foi expulso. Cheirou cocaína todo dia por quase 10 anos – agora diz que cocaína é de direita e maconha é de esquerda, que a maconha é socializante porque todo mundo fuma o mesmo baseado.  É categórico ao dizer que nunca acreditou em Deus. Foi preso quatro vezes: “todas parecidas, por causa de baganinha no bolso... Na primeira vez, tava com dois amigos no carro, chapados. Um deles gritando pela janela. A polícia civil cercou a gente no Pacaembu, perguntou se tava com alguma coisa. Disse que não, mas encontraram. Aí tiraram minha roupa, bateram, me arrastaram pelo cabelo. Eu tinha cabelo comprido”. Aos dezoito anos se envolveu com bandidagem. No momento da vida que mais ganhou dinheiro, jogou fora com, segundo ele, mulheres e drogas – e com a família também. Afirma que não entende nada de política. Não tem patrimônio.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Estupradores catarinenses ficam impunes

          “Quem tiver suas éguas que prenda, porque meus cavalos estão soltos”. Ouvi essa frase pela primeira vez lá pelos anos de 1970 no interior do Rio Grande do Norte. Apesar da pouca idade, mas faminto pela leitura, achei o seu autor um boçal. “Velho ignorante. Se tivesse estudo e cultura não falaria uma idiotice dessas”, resmunguei à época. Cresci, estudei, viajei e conheci muitos lugares. Vim parar em Florianópolis, capital modelo para muitos brasileiros. Boa qualidade de vida, cidadãos conscientes e educação em primeiro lugar. Um paraíso no atlântico sul. Tinha certeza que as palavras do ancião nordestino grosseiro não teriam eco por estas paragens. Será?

          No último mês de junho estava em Natal, coincidentemente, quando fiquei sabendo que dois rapazolas haviam estuprado uma menina de 13 anos em Florianópolis. A imprensa catarinense tentou encobrir. Foi sabotada, entretanto, pela agilidade e despudor da internet. Passou a circular emails na rede dando conta do crime, segundo a correspondência, praticado por dois filhos de “bacanas” da capital. Quando retornei à terra de Jorge Bornhausen, passei a acompanhar o trabalho de investigação. Percebi, de cara, que o ato delinquente ficaria impune. Por quê? Porque um dos marginais é filho de delegado de polícia, o outro criminoso é filho do diretor de uma rede de comunicação – RBS, afiliada da Rede Globo.

          Os calhordas foram descobertos por causa da denúncia na internet e por escreverem, na rede, idiotices que confirmavam suas maneiras arrogantes e criminosas de agir. Eles levaram uma menina, colega deles, para o apartamento do mais rico, drogaram-na e cometeram o estupro. Quando a imprensa percebeu que até os cachorrinhos de rua comentavam o assunto, resolveu noticiar o fato. Mas tudo feito com muita parcimônia. Os nomes dos bandidos foram omitidos por serem menores de idade. Tudo bem, mas por que não fizeram imagens deles, mesmo com o rosto desfocado, como fazem com os filhos dos pobres? Pior foi o que disse o delegado. O “homem da lei” veio na televisão dizer que não podia afirmar que houve estupro porque não estava no apartamento com os adolescentes, para saber se foi estupro ou sexo. É de chorar em alemão.

          Sem apelo na mídia, até porque, em Florianópolis, nem as emissoras concorrentes deram muito espaço, o crime foi se apagando rapidamente, como fogo de palha. A emissora do pai de um dos malfeitores insistiu em dizer que o caso estava sendo tratado com delicadeza, tendo em vista envolver menores. Segundo ela, era tudo em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Como eu já esperava, a justiça finalizou o inquérito, confirmou o estupro e – pasme, criatura! – aplicou medidas socioeducativas aos bandidos.  A promotora Walquíria Ruicir, da infância e juventude, concluiu que existem provas do estupro. A juíza Maria de Lourdes Simas Porto Vieira – grave esse nome porque um dia pode ser que ela se candidate e peça seu voto -  foi quem definiu as medidas. Ela simplesmente não quis falar sobre a decisão. Decisão essa que deixou a família da vítima estupefata. O advogado da família, Francisco Ferreira, afirmou que os pais da menor esperavam a internação dos facínoras. Francisco também disse que a decisão da justiça é um estímulo a outros casos de violência.

          Cá entre nós, eu já esperava tal atitude por parte da justiça. Um dos pilantras já desdenhava da justiça catarinense ha tempo. Em uma conversa entre ele e um colega, trazida ao ar pela Rede Record, foi perguntado se ele não temia ser preso. A resposta foi: “Tu tá zoando?”. O filhinho de papai sabia que estava imune aos rigores da lei. Interessante é que a decisão judicial não foi alardeada pelas páginas policiais de Santa Catarina. Eu nem me refiro à RBS, porque os coitados dos jornalistas que lá trabalham não são bobos de fazer matéria contra o filho do patrão. Mas a concorrência também silenciou. Parece-me, eu disse parece-me, que é mais ou menos assim: alivia para mim, que aliviarei para ti.

          Os estupradores estão soltos. Santa Catarina perdeu. Florianópolis perdeu. A justiça brasileira, mais uma vez, perdeu. O jornalismo catarinense perdeu. Quem ganhou, quem ganhou? O velho nordestino do início deste texto que disse: “Quem tiver suas éguas que prenda, porque meus cavalos estão soltos”. Lembro como se fosse hoje que achei aquele senhor um desgraçado. Achei que ele era um câncer na sociedade. Que era um inculto, iletrado e nojento. Não, ele não era nada disso. Ele era um exemplo para as gerações por vir. Seus ensinos, apesar de minha discordância, chegaram até o sul-maravilha. O Nordestino fez discípulos em Santa Catarina. Um deles, hoje é delegado de polícia, o outro é dono de emissora de televisão.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Liberdade de imprensa? Fala sério!

          Certas coisas no Brasil me enojam. E uma delas é a suposta liberdade de imprensa. Um discurso amarelo que muitos insistem em pintá-lo para apresentar aos incautos. O que há, de fato, é liberdade para veículos de comunicação. E, cá entre nós, vou falar baixinho que é para não espalhar: - nem todo veículo de comunicação goza de liberdade. Costumo dizer que um fato, para ser verdadeiro, precisa ser publicado na imprensa. Se não foi publicado, não aconteceu. Mesmo tendo acontecido, com testemunhas e tudo mais. Por outro lado, mesmo que não tenha ocorrido, se a imprensa noticia, sucedeu-se. É devido a esse jogo de poder e interesse que tanto se propaga a liberdade de imprensa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dá-lhe, Angélica

          Uma amiga minha acabou de me contar que consegui uma vaga na UNB (Universidade de Brasília). Juro por Deus, fiquei muito feliz. Parabenizei-a. A moça é do interior de Santa Catarina. Admiro-a pela vontade de vencer e a coragem de lutar que possui. Digo isso porque todo mundo quer ser um vencedor, lutar que é bom, necas de pitibiriba. Angélica, por sua vez, sempre me passou uma gana muito grande. Sabe aquela pessoa que a gente olha, escuta e diz: “vai longe”. Desde que a conheci, aqui em Floripa, sempre tive certeza que a catarinense daria voos altos. Você pode estar me perguntado: “Só porque ela passou na UNB, merece tantos elogios?”. Não, não é só por isso. Se bem que entrar na UNB não é “só isso”. Sei, por outro lado, que o que ela fez foi entrar em um aeroporto com aeronaves prontas a levá-la para qualquer lugar desse asteróide onde vivemos. Ao menos para Elisa – este é o sobrenome da minha amiga – a entrada para o mundo está aberta.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Toda noite eu sonhava com o banquete que aquele cachorro comia

          Tem certas expressões que perdem o sentido à medida que o tempo passa. Caducam. Envelhecem, perdem o viço e só lhes resta a lembrança. Em certos casos, nem a lembrança. É, paisano, nosso idioma é vivo, e por ser vivo é mutante. Quando criança este amanuense costumava reter na cachola frases que achava bonitas. Que o tocava. Que o fazia pensar. Nunca esquecerei quando ouvi, pela primeira vez, um maluco dizer “isto aqui tá um cabaré de cego dentro de um balaio de gato”. Simpatia, fiquei noites sem dormir imaginando a cena. E ficava inculcado com esse tipo de coisa. Só desencanava quando ouvia uma nova, tipo “sou igual goiano, gosto de pegar para saber se o trem é bom”. Ou ainda, “cobra que não anda não engole sapo”. Hoje, entretanto, li uma manchete no jornal Tribuna da Bahia que me fez voltar ao passado: “Dia de cão para os usuários de ônibus”.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tô doido, tô doido, tô doido

          Lembra daquele humorista que dizia: “To doido, to doido, to doido”? Pois então, ontem eu endoidei de vez. Pirei, surtei, maluquei. E sabe qual foi o motivo? Um jogo de futebol. Isso mesmo, a final do Campeonato Paulista. Saiba, gente boa, que eu caí na besteira de assistir a partida sem tirar o som da televisão. Foi a minha desgraça. Cheguei de viagem no exato momento em que o árbitro apitava o início da peleia. Deixei o volume ligado e fui ouvindo. Quando vejo futebol, costumo acionar a tecla “mute”. Ontem, porém, no afã de acompanhar o espetáculo, esqueci da mania. E você sabe como é narrador, não é? E comentarista? Meu Deus do céu! Não sei você, mas, quando ouço o que eles falam, tenho a sensação que estou acompanhando outro jogo. Ontem, entretanto, foi um terror.

terça-feira, 30 de março de 2010

Anúncio de jornal

Olha a pipoca! Olha a pipoca!
É barata e espanta a fome.
Olha a cachaça! Olha a cachaça! Um trago pra cada homem.
Olha o repórter! Olha o repórter!Cala a boca ou muda o nome.

- Não calo!
- Vai calar sim!
- Vou falar!
- Ah, não vai não!
- Vou gritar!
- Cerro teus lábios!
- E se eu me dobrar?
- Tens o pão.
- Mas, preciso de holofotes!
- Corta essa; és mais um João.

Tô comprando jornalista,
Cada um diga sua valia.
De ante mão já aviso,
Pago pouco, uma ninharia.
Mas prometo uma mordaça,
Dois tapa-olhos e uma guia.

Se eu não achar jornalista,
Me contento com fantoche.
Me custa uma mixaria,
Faz o que eu mando, num trote.
O mercado tá em baixa,
Cinquenta pila no lote.