Pois bem, voltemos à “marvada” inveja. Ontem eu cheguei em casa e liguei a televisão em um canal de esporte. Tudo bem, eu digo qual: ESPN. Mas não insista,ocultarei o nome do programa. Apenas, era sobre esporte. E, venhamos e convenhamos, a televisão brasileira confunde programa esportivo com programa sobre futebol. Os apresentadores estavam falando sobre Robinho. A volta dele ao Santos. E aí mostraram umas imagens do jogador na Europa, dirigindo uma potentíssima Lamborguinni. Enquanto isso, o âncora ia discorrendo sobre o carro, o motor, o luxo e o preço. Aos poucos sua voz foi ficando sem entusiasmo, arrastada, gelada, magra. Eu, que estava lendo e assistindo ao mesmo tempo, fiquei curioso com a entonação do homem. Quando ele reapareceu na tela estava com uma expressão que é difícil descrever. O companheiro de profissão embarcara no mesmo barco, o da inveja. Filho de Deus, era de chorar em alemão! Eles ficaram trocando ranços acerca do salário do atleta. Dava pena vê-los tão triste. Se tem uma coisa que a inveja não sabe fazer, é teatro. Neste caso o melhor é agir como Gilberto Freyre, e admitir que sente inveja. Sem culpa. A culpa é outro sentimento que já devia ter sido queimada nas fogueiras da idade média. Mas o assunto, aqui, é inveja.