Utilização do conteúdo

Autorizo o uso do material aqui produzido, desde que seja dado crédito ao autor e não tenha uso comercial
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de janeiro de 2014

Rocinha - Rio de Janeiro

      Aproveitando a estada no Rio de Janeiro, tirei a manhã de sábado para conhecer a Rocinha. Foram horas perambulando pela comunidade, conversando com moradores, comerciantes e com policiais militares. O resultado são as fotos abaixo.

Entrada da comunidade
Olha os "homi"
Só da Rocinha pode-se curtir este visual
Cada beco desses é um portal para zilhões de residências
Laje é luxo para poucos
Olha a torcida aí, gente!
Laje com vista privilegiada
Os becos não são recomendados aos visitantes
Encontre o beco.  Dica: tem uma placa em cima
E haja fé
Artéria principal da Rocinha é ostensivamente policiada

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O mensalão


       Depois de quase cinco meses, voltei. O livro que eu estava escrevendo – causa maior da minha ausência – assa, neste momento, em uma gráfica no Rio de Janeiro. “Morte ao Caboclo” é o nome do meu primeiro filho literário. Espero que depois dele venha mais um magote.

        O fato é que cinco meses sem escrevinhar por aqui foi um longo tempo. Nesse vazio de horas, dias e meses, o Palmeiras – quem diria! – foi campeão da Copa do Brasil, os comandados de Mano Menezes perderam a medalha de ouro olímpica para o México – “que fase”, diria certo narrador esportivo -, e o Brasil presenciou o início do julgamento dos perpetradores de um crime afamado como Mensalão.

       E por falar em Mensalão, ainda bem que não chamaram Jesus Cristo para depor no julgamento. Imagine o Galileu dizendo “quem nunca roubou atire a primeira pedra”. Ui!

quarta-feira, 21 de março de 2012

O campo da esquerda

     Para ser sincero, não sei se sou canhoto ou destro. Tenho mais força no braço esquerdo, embora use mais o direito no dia a dia. Quando bato uma bolinha - e a cada dia a danada fica menor -, chuto com o pé esquerdo. Se a gorduchinha, entretanto, cai no direito, o tiro sai quase que com a mesma potência. Potência, nesse caso, é um simples recurso literário. A velocidade da bola é um pouco maior do que a de uma tartaruga manca. No trânsito, ainda bem, consigo distinguir claramente o que é esquerda e o que é direita. Desde muito pequeno, ensinaram-me que: "mãozinha do coração é a esquerda". Quando cheguei à adolescência, tive contato com pessoas que se diziam de esquerda. Curioso como sou, procurei saber o que era a tal esquerda. Li quase tudo que os chamados de esquerda indicavam. Ah, em se tratando de partido político, PCB e PT eram os maiores agregadores de canhotos que o país descoberto por Cabral possuía. 

     De tanto chutar o traseiro da direita, a esquerda assumiu as rédeas do Brasil. E vi que, tanto quem chutava como quem era chutado não passavam de sósias. Daí o chavão: "elege-se pela esquerda, mas governa pela direita". Acho mesmo é que o capitalismo pisoteou a ideologia de quem via a esquerda apenas como retórica para chegar ao trono. Aos poucos, fui percebendo que eu, assim como no corpo, era um pouco de esquerda e um outro pouco de direita. No mês passado fui despertado por um email enviado por um jornalista amigo meu. Dizia que "a revista x (substituí o nome do periódico pela letra) procura repórter com alguma experiência, senso crítico, bom texto (...). Você sabe que a linha editorial da revista é no campo da esquerda". Aí pirei o cabeção.

Que diacho é "campo da esquerda"?

     Quase não durmo, amizade. Sempre que estava de bobeira, perguntava a mim mesmo: o que o camarada quis dizer com campo da esquerda? Será que é ter afinidade com José Dirceu, Palocci e Cia? Não, não pode ser isso, meditava. Será que é mostrar apenas os podres de quem está no poder? Não, aí seria muita miopia jornalística. Será que é identificar-se com os chamados movimentos sociais e louvar seus atos? Não, eles também têm suas bandas podres e seria preciso noticiar as tinhosas. Por isso, leitor, ajude um homem destro a dormir sossegado. Explique a este canhoto o que danado é "campo da esquerda", pelo amor de Deus. Ah, e se Deus não joga no campo da esquerda, por favor, perdoe-me que já não sei o que digo. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma espiadela no sertão do Rio Grande do Norte

     
     Segunda feira, 6h da madrugada. O sol já não era mais nenhuma novidade quando chegamos em Santa Cruz, cidade separada de Natal por 100 quilômetros de asfalto da BR-226. Que, para alegria dos motoristas, está parecendo uma mesa de bilhar. Tudo bem, tudo bem, nem tanto, mas não tem um buraquinho, sequer. Passáramos por Bom Jesus, Serra Caiada e Tangará. Dois ou três milhares de metros antes de descortinar Santa Cruz, já podíamos ver a imagem de Santa Rita de Cássia. O Auto de Santa Rita de Cássia é a maior imagem católica da Terra. Seus 56 metros inaugurados em 2010 fazem o Cristo Redentor, por exemplo, parecer um nanico. O fato é que o município entrou para a rota dos romeiros que abundam por estas pairagens devoradas pela seca. Como cantavam - nem sei se cantam mais, meu Deus! - o Ultraje a Rigor, "dinheiro". "Não seja incréu, Gilead; não desmereça a fé do povo", dirá o mais apegado às paixões da alma. Nesse caso, tenho que erguer os dois braços e capitular: realmente, se não fosse a fé do sertanejo a vida seria bem mais dura do que já é.

Maior monumento católico do mundo

     Uma hora depois, paramos para tomar café em Acari, cidade afamada como a mais limpa do Brasil. Não há sujeira alguma nas ruas. Parece que nem tem fumante lá, porque não vi uma bituquinha, ao menos, jogada na sarjeta. E vamos combinar, fumante que é fumante não está nem aí para o politicamente correto. Ele descarta o resto do vício na rua e quem quiser que ache ruim.



     Nosso giro pelo Sertão nos empurrava para Carnaúba dos Dantas, na divisa com a Paraíba. O calor já não permitia brincar de abrir a janela do carro. Urubú por aqui, meu chapa, voa com uma asa só; com a outra se abana. A paisagem calcinada, no entanto, enche os olhos de quem está sob a proteção de um ar-condicionado.

Serra Rajada
Telha e tijolo, isso dá
Onde os fracos não têm vez
Dá pra ver a casinha? Morar aqui é não exigir muito da vida
     Carnaúba é outro polo de turismo religioso. O Monte do Galo, com as 14 estações da chamada Via Sacra, é destino certo de milhares de romeiros que correm em busca de dádivas celestiais. Ao pé do santuário, anualmente é feita a celebração da Paixão de Cristo. Os atores, vale o destaque, são todos do lugar. No alto do monte, os moradores juram que tem um galo de 5 toneladas. Mesmo sendo igual goiano, que "gosta de pegar pra saber se o trem é bom", preferi acreditar à subir a sauna.

Monte do galo
No alto, um galo de 5 toneladas
     Ao pegar a estrada para Picuí/PB, ainda em Carnaúba, uma construção no lado esquerdo da rodagem chamou nossa atenção. Era um castelo. Um castelo, sim senhor. E o edifício foi usado como cenário do filme O homem que desafiou o diabo.



     Ao entrarmos no Estado vizinho, uma surpresa que nenhum motorista gosta: restos mortais do que um dia foi asfalto misturavam-se com areia. Peeeeeeeeeeeeeeense numa buraqueira. Num pedaço de Brasil dominado pelo sentimento de religiosidade, aí sim precisei exercitar minha fé: fé para fazer o possante terminar bem a viagem. A solução é ter agilidade no braço, boa visão para escolher a passagem menos ruim e exagerar na fé. Porque a fé, "cumpade", a fé não costuma falhar. Picuí. Meeeeeeeeeeeeeeeeeeu Deus. Ah um prefeito naquele lugar. 

Picuí/PB
Tem mais moto do que gente; já capacete...
Bem vindo a Picuí - Entrada da cidade
     Buraco para um lado, Gile para o outro, Buraco para cá, Gile para lá, era preciso encontrar a entrada para Nova Floresta. Parei numa das raras casas que margeiam a trilha - e sou capaz de xingar quem chamar aquilo de estrada - e um morador, rapaz de seus 30 anos, saiu para me atender:
- Bom dia, amigo.
- Bom dia- respondeu o paraibano.
- O senhor sabe informar onde fica a entrada para Nova Floresta?
- Huuuuum, huuuuuuum, o sinhô sobe, quando descer... aí sobe de novo, aí...
- Na segunda descida, é isso? - interpelei.
- É, é... - e olhou para dentro de casa como quem pede ajuda.

     Outro moço, que parecia irmão, acudiu confirmando o que dissera o primeiro. Mais cinco minutos e encontrei o acesso. Dez quilômetros de estrada de terra nos conduziram à casa de Antônio e Francisca, na localidade de Pedra D'água, já no município de Nova Floresta.  O sertão perdera um pouco da carranca. Podíamos ver cajueiros, coqueiros e outras árvores odiadas pelo solo sertanejo. A sisterna atrás da residência, no entanto, indicava que a seca era o inimigo a ser batido. A simplicidade, o carinho e o riso nos serviram um almoço com muita carne, arroz de forno, feijão, salada e suco. Fiquei apenas no arroz de forno e na água de coco. Seu Antônio mostrou-me como faz para alimentar o gado naquele pago tão carente de verde. Uma carroça de burro - veículo comum na região - cheia de palma estava encostada próximo ao galinheiro. "Eu passo tudo na forrageira e dou pro gado; é assim que dô cumida a eles. Planto também um tiquinho de capim elefante pra misturar". 

Sr. Antônio
Sisterna é bem de primeira necessidade
     Antes de partir, soube que na casa contígua morava um ex-combatente. André Ernesto, 90 anos, é conhecido na comunidade pelas tiradas mal-humoradas que costumava responder a interlocutores incautos. "Uma vez", riu dona Francisca, "ele subiu em cima da casa e um vizinho perguntou se ele estava arrumando o telhado, ele disse 'não, estou cavando uma cacimba'". Lúcido, o velho militar apenas sorria quando invocavam suas memórias. 

André Ernesto
O quadro na parede da casa é o orgulho do ex-combatente
     Mais oito quilômetros de estrada de terra. Melhor, bem melhor do que o asfalto paraibano que -"não"- encontrei, e cheguei à sede do município de Nova Floresta. Sem precisar passar a terceira marcha, atravessei o povoado em dois minutos. Um pórtico em construção e um placa ondicavam que estávamos retornando ao Rio Grande do Norte, agora pela cidade de Jaçanã. Um passo pra cá, Paraíba, um passo pra lá, Rio Grande do Norte. Outra vez o asfalto sorriu para nós. Já era noite, apesar de o relógio marcar apenas 18h, quando chegamos em Natal. Foram 500 quilômetros de estrada boa(RN), estrada ruim(PB) e estrada horrorosa(PB). 500 quilômetros de sertão, de força para viver em terras tão malvadas, de obstinação para vicejar onde os fracos não têm vez.




É claro que o que conto aqui são apenas impressões superficiais de um viajante. Ficaria muito feliz, contudo, se a assessoria de imprensa da prefeitura de Picuí entrasse em contato comigo e informasse que o prefeito acordou e vai fazer alguma coisa pelo município que comanda



domingo, 15 de janeiro de 2012

O rei mal e a anciã sábia

     Em certo lugar cujo nome não vem ao caso, o dominador era odiado pela população. Todos, cem por cento dos habitantes, tinham-no como um déspota cruel que sugava todo o esforço dos  seus súditos. Ningúem dirigia-lhe o menor elogio, sequer. A não ser, claro, os palacianos que se locupletavam com o mandonismo do rinoceronte. O soberano, entretanto, começou a ficar intrigado com uma viúva que pedia esmola na praça da cidade e que já beirava 100 invernos vividos por aquelas pairagens. Toda vez que passava por ela, escutava a mesma ladainha:

- Deus te dê muitos anos de vida. Deus te dê saúde para governar por décadas e décadas. Deus preserve teu reinado.

     O ditador ouvia aquela litania e seu espírito se inquietava. Certa feita, ao perceber a presença da anciã, não conteve a curiosidade:

- Senhora, eu tenho plena consciência que todo o povo me odeia. Sei que sou um tirano. Sei que não estou nem aí para o sofrimento de quem quer que seja. Sei que só tenho olhos para mim mesmo e para o castelo. Mesmo assim, ouço suas preces para que o Criador alongue meu reinado. Por favor, seja sincera comigo e nada de mau lhe sobrevirá: o que está por trás de tuas preces? Desejas, de fato, que eu reine por muitos anos?

A idosa não titubeou: 

- Olhe, senhor, teu avô foi rei aqui. Não valia nada. Era insensível ao povo. Nenhum dos antecessores dele foi metade do que ele foi em termos de ruindade. Certo dia ele morreu. Aí veio teu pai. E conseguiu ser pior do que teu avô. Muito pior, aliás. Por isso, meu filho, temo que, depois de tua morte, venha um ainda pior do que você. 

Pois é.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Janeiro no Rio Grande do Norte


Praia de Camurupim

Fica mais fácil jogar frescobol
Sibaúma
Barra de Cunhaú
Cachorro atleta/Barra de Cunhaú
"Minha mãe me chama: é hora do almoço"