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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cachorro, vagabundo e safado

          Cachorro, vagabundo, safado. Essas foram as palavras usadas por um comentarista de futebol da Band, para se referir ao jogador da Costa do Marfim que machucou um atleta brasileiro. Quero avisar, para tu não me chamares de ignorante, que me recuso a escutar tal profissional de televisão. Neto é o nome do grosseiro. Na verdade ele faz um ótimo papel de agressor da língua portuguesa. Presta, sim, um desserviço à boa pronúncia da língua que consagrou José Saramago. Por isso eu não perco meu precioso tempo sujando os ouvidos com baboseiras que o demente fala. No fundo eu acho que ele é um coitado. Se ouvi o que ele vomitou, foi por acaso.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aquela negra?

         Aconteceu em uma sala de aula do curso de jornalismo. Onde? Aqui em Florianópolis. O professor exibiu o filme “Uma onda no ar”, que conta a história de quatro amigos dispostos a criar uma rádio. Tem um problema: eles moram na favela e querem uma rádio para levar aos ouvintes a voz da comunidade. Surge assim a Rádio Favela. A ideia do professor era promover uma discussão sobre os problemas sociais refletidos no filme. Mas alguns alunos demonstraram total desconhecimento do assunto. Quando o professor disse que a televisão brasileira limita, e muito, o espaço destinado ao negro, uma futura jornalista saiu-se com esta:

- No Fantástico tinha aquela negra.

         Mas a forma que a moça falou foi de total desprezo com Glória Maria. O riso foi geral. Não havia um negro sequer na sala.

         Um aluno presente questionou o preconceito da estudante. Perguntou se ela admitia que tal declaração fosse filmada. Lamentável saber que os futuros jornalistas são incapazes de fazer uma leitura mais aprofundada dos desequilíbrios sociais da nação. Lamentável saber que esses moços e moças tenham uma visão tão medíocre das distorções sociais que presenciamos. Lamentável.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Eles sabem tudo de Big brother

         Um dia desses eu estava conversando com alguns colegas - moças e rapazes -, quando a prosa rumou para o lado do Big Brother. Meu Deus! Como diz a gurizada: fiquei de cara! Eles falavam a respeito dos personagens do reality show como se fossem velhos amigos. Sabiam “tudo” sobre a personalidade dos quase-famosos. Discutiam com vívido prazer a respeito de tudo que concernia aos globais. Eu, semi-analfabeto em besteirol, averso a futilidades e repulsivo quanto aos esgotos advindos da televisão, caí fora. Depois fiquei pensando: será que esses meus amigos conhecem os próprios pais tanto quanto conhecem os famosos? Tomara que sim, mas creio que não.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A televisão me deixou burro? Cuidado, senão te dou um coice

         Sei que aqui não é um confessionário, mas quero confessar uma coisa para você: criticar é muito fácil; e como criticamos! Eu mesmo sou extremamente crítico. Você também deve dar suas cutucadas em alguém, é ou não é? Tudo bem, não é nenhum pecado criticar. Mas quando a crítica é infundada, malvada ou fruto da ignorância, o buraco é mais embaixo. Falo isso devido aos constantes comentários que ouço a respeito da televisão. Gente do céu, precisamos entender o papel de cada pessoa, cada entidade e, inclusive, cada veículo de comunicação na sociedade. É esta a ferida que vou tocar.