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domingo, 15 de janeiro de 2012

O rei mal e a anciã sábia

     Em certo lugar cujo nome não vem ao caso, o dominador era odiado pela população. Todos, cem por cento dos habitantes, tinham-no como um déspota cruel que sugava todo o esforço dos  seus súditos. Ningúem dirigia-lhe o menor elogio, sequer. A não ser, claro, os palacianos que se locupletavam com o mandonismo do rinoceronte. O soberano, entretanto, começou a ficar intrigado com uma viúva que pedia esmola na praça da cidade e que já beirava 100 invernos vividos por aquelas pairagens. Toda vez que passava por ela, escutava a mesma ladainha:

- Deus te dê muitos anos de vida. Deus te dê saúde para governar por décadas e décadas. Deus preserve teu reinado.

     O ditador ouvia aquela litania e seu espírito se inquietava. Certa feita, ao perceber a presença da anciã, não conteve a curiosidade:

- Senhora, eu tenho plena consciência que todo o povo me odeia. Sei que sou um tirano. Sei que não estou nem aí para o sofrimento de quem quer que seja. Sei que só tenho olhos para mim mesmo e para o castelo. Mesmo assim, ouço suas preces para que o Criador alongue meu reinado. Por favor, seja sincera comigo e nada de mau lhe sobrevirá: o que está por trás de tuas preces? Desejas, de fato, que eu reine por muitos anos?

A idosa não titubeou: 

- Olhe, senhor, teu avô foi rei aqui. Não valia nada. Era insensível ao povo. Nenhum dos antecessores dele foi metade do que ele foi em termos de ruindade. Certo dia ele morreu. Aí veio teu pai. E conseguiu ser pior do que teu avô. Muito pior, aliás. Por isso, meu filho, temo que, depois de tua morte, venha um ainda pior do que você. 

Pois é.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Janeiro no Rio Grande do Norte


Praia de Camurupim

Fica mais fácil jogar frescobol
Sibaúma
Barra de Cunhaú
Cachorro atleta/Barra de Cunhaú
"Minha mãe me chama: é hora do almoço"

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Governo de Santa Catarina apoia o furão de fila

Olhe só esta guia de pagamento (foto). Detalhe: o governo cobra uma taxa extra para ser eficiente. Leia o diálogo que presenciei em Florianópolis quando um cidadão chegou para tirar a segunda via da carteira de identidade:

Cliente: "Bom dia, quanto custa para fazer um documento de identidade?". 
Servidor público: "Depende; o senhor quer um serviço normal ou rápido?".
Cliente: "Um serviço rápido, né, meu amigo!". 
Servidor: "Nesse caso o senhor terá que pagar mais caro".
Cliente: "Como assim mais caro?". 
Servidor: "O prazo de entrega normal é de cinco dias úteis, mas podemos antecipar para dois dias se o senhor pagar um pouco mais".
Cliente: "Isso é um absurdo, companheiro, pagar mais para vocês fazerem um serviço dentro do desejado! Em Blumenau a carteira é feita na mesma hora e não tem essa de preço diferenciado". 
Servidor: "Primeiramente, não sou seu companheiro, pois Santa Catarina não é comunista. Segundamente, se o senhor está insatisfeito pegue um buzão e vá fazer o documento em Blumenau. Terceiramente, se o senhor não pode pagar para ter um serviço mais rápido tem gente que pode". 
Cliente: "Mas isso é uma propina institucionalizada. Eu terei que pagar mais caro para passar na frente dos demais".
Servidor: "O senhor entenda como quiser".
Cliente: "Só não te mando à PQP porque sou um cara educado".
Servidor: "Próximo".


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Neymar fecha camarote em casa noturna de Florianópolis e seleciona gatas para entrar


Pe-la-mor-de-de-u-is.

     Para começar o ano do fim do mundo, fiz questão de copiar e colar o que li no site de um jornal de Florianópolis. A escrevinhadora, que se diz jornalista e tem direito a fazê-lo, teve a honra - como ela mesma deixa claro - de entrar no camarote de Neymar, o boleiro do Santos. Leia e veja que, de fato, é o fim do mundo. Um ditado usado por aqui: "eu quero é que o mundo acabe em barranco que é pra eu morrer escorado". Pelo jeito, esse asteróide pequeno vai acabar em puteiro.

*Por Bárbara Nunes
"Sim, Neymar continua na nossa Ilha da Magia! O jogador-celebridade estava, domingo, na casa noturna El Divino, na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis. O gato fechou um camarote só para os amigos e as mais gatas da balada. Os seguranças do jogador escolhiam as meninas e convidavam as mais top's para serem levadas para alegrar o rapazinho. Eu não sou top, mas sou cara de pau e trabalho com fofoca, então, consegui entrar também. Meninas, o Neymar é baixinho e tem o rosto todo marcado das espinhas da adolescência. Mesmo assim é um gato. Carismático demais.

A todo momento ele estava sorrindo. Mas, também não era pra menos. O bofe estava rodeado de muitas gatas e com bebida à vontade. Ressalto aqui que, nas três horas que fiquei no local, o menininho de 19 anos pagou nada mais nada menos do que 12 garrafas da champanhe mais cara que tinha lá, mais cinco vodcas (das boas), uísque e energético, que não consegui contar... Como uma boa jornalista, eu estava com a minha máquina a postos quando o segurança veio no meu ouvido e disse: "Não pode tirar foto. Se desrespeitar, vou ser obrigado a retirar você da casa". Sim, havia muitos, muitos seguranças...

O jogador estava não só para se divertir, mas estava à caça também. Ele olhava nos nossos olhos e depois dava uma espiadela no corpicho. Paquerando mesmo. Enfim, sei que uma das meninas resolveu falar de "seu amor" no ouvido do gato celebridade... Ele não curtiu nadinha e pediu pra que os seguranças a retirassem do camarote. Uiii, que bobinho! E ela? Desesperada! Bom, mas ele estava com a moral toda, e, infelizmente, podia fazer o que quisesse. E todas que estavam ali sabiam dos "riscos" que corriam. Ser tradada como um "pedaço de carne" era moral. Mas, em se tratando do Neymar, até eu que sou tola topei entrar na brincadeira. O bofe foi embora à francesa, antes de a festa acabar. Com quem ou quantas, a gente nunca saberá."


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2@12

Não gosto muito de falar de morte, de conversar sobre morte, de escrever sobre morte. O clima de velório não me empolga. E como ouço todos comentando sobre o óbito do vivente, fico com a criatividade enfraquecida. Quando o bonitão chegar, quem sabe minha verve escrevinhadora retorne.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Trabalho voluntário? Passo


     Sou contra trabalho voluntário no Brasil, sim. E em qualquer outro país de ponta no quesito desigualdade social. Dinheiro aos borbotões na mão de um punhado e uma pataca por mês no bolso do operário é sinônimo de pornografia. Ou pensas, paisano, que pornográfico é quem gosta de nudez? Pornográfico, meu caro, é aquele que tira até a última gota de suor do trabalhador. Que arranca-lhe o direito a uma assistência médica por mais meia-colher que seja. Aí vem um propagandista do voluntariado induzindo o explorado a dar o resto do sangue a favor de quem está em situação pior.

     Esse é o caroço da questão. Meu caro, quem tem que prestar serviço voluntário é quem ganha acima de R$ 20.000,00 por mês, é o vereador, é o deputado, é o senador, é o prefeito, é quem ocupa cargo público e tem, entre salário e benefícios, uma polpuda quantia. E essa tropa de terneiros cruza os bracinhos quando ouve falar em trabalho voluntário. Quem tem remuneração sofrida deveria dizer não à voluntariedade.

     “Péra, péra, péra, Gilead”, dirá o leitor mais irritado, “e quem vai ajudar tantos que estão abandonados pelo poder público?”. Então, colega, a população deve pressionar os administradores do nosso rico dinheirinho a aplicar em ações sociais. Sabes, amizade, quantos patrícios nossos estão desempregados? Tens ideia? Pois esse exército de desempregados poderia ser utilizado para fazer o serviço que os voluntários estão fazendo. Ou seja, o voluntário provoca desemprego.

     Não sou ignorante; sei que, às vezes, existe uma motivação religiosa. Pois que a religiosidade não provoque mais miséria. Que nossos religiosos entendam que, se há satanismo, ele está nas salas onde os esquemas de corrupção são arquitetados. Repreendamos, pois, esses anjos caídos. Em um país com tantas ratazanas no comando, sobrar dinheiro no caixa é pornografia certa. E o trabalho voluntário faz sobrar din-din. Que não me venham com discursos sentimentaloides. Quer me sensibilizar? Bote essa cambada de sanguessugas dos cofres públicos para dar sopa a mendigos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A grávida do ano

                                                                            A grávida do ano não é Gisele Bundchen. Também não é a mãe do filho de Neymar, que eu nem sei o nome da moça - santa ignorância, Gile. É, simpatia, a gravidez mais esperada por este jeca nordestino metido a gente também não foi a da poderosa e quase enciclopédica Luciana Gimenez. A propósito, paisano: sabes me explicar por que só os nascidos no Norte e no Nordeste carregam uma espécie de vínculo com a região de onde são? Quem é natural do Sul é chamado de sulista? Quem nasce no Centro Oeste é, por acaso, centroestino? E a turma do Sudeste, é sudestina? Caso saibas o motivo desse negócio, envia um email para o apedeuta aqui, please. Voltemos às grávidas. A barriguda de2011 tem pouco mais de um metro de altura. Possui duas guampas poderosíssimas. Foi homenageada por Caetano Veloso com a música "linda demais". Quem é, quem é? 

                                                                             É Jipão. A terneira Jersey da República Três Platôs. E aproveito para adiantar que o filho da moçoila, quando estiver em fase de aprendizado, poderá levar uma palmadas, sim senhora. Caso mereça, óbvio. É, amizade, na referida República tem vacas, cachorros não. 


                                                                              Fotos da grávida:








quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vá à marcha, mas não me chame


Marcha pela direito de encher a pança de droga – para não ser desbocado e dizer encher outra coisa –: não me chame.

Marcha pelo direito de ter parceiro macho, fêmea ou jegue: por favor, me inclua fora dessa.

Marcha para ter direito a ser um religioso segregário: passo.

Marcha contra políticos que assaltam o povo na cara de pau – tô fora.

     Quem me conhece não vê novidade no meu posicionamento quanto aos três primeiros movimentos citados. E é fácil de deduzir, porque não sou usuário de porcaria nenhuma que venha a me tornar mais imbecilizado do que já estou. Quanto ao sexo, quando nasci, lá em Natal, sem direito a ultrassonografia, fotografia ou outra porcaria qualquer, o médico disse: é homem. Homem nada, era um piazinho do tamanho de um rato. Era macho. Macho fui, macho sou e macho serei. Agora se um amigo meu, de nome Ronaldão, resolveu virar Rosinha, problema dele. Continua meu amigo. 
     
     Seu Maurício e dona Margô ensinaram-me a respeitar. Quando encontro o ex-Ronaldo, não penso duas vezes antes de dizer “e aí mermão”. E a marcha pra Jesus, Gile, você é contra? Permita-me o chavão, mas não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Tenho, no entanto, sérias desconfianças que Jesus não tem nada a ver com o negócio. E se a marcha é feita por religiosos, para religiosos demonstrarem sua força e para os líderes das igrejas poderem depois negociar com políticos o apoio a essa ou aquela candidatura... pe-la-mor-de-Deus. Até aqui tudo bem, mas quando o assunto é corrupção tem uma bagualada de orelha em pé: “o quê, Gile? Não apóias a luta contra os corruptos?”. Vamos comer o boi aos bifes.

     Amigo, você acha que o cara que gasta uma bolada numa campanha mais suja do que chiqueiro de porco está brincando? Achas que o prefeito que rouba a merenda escolar de crianças está pensando em festinhas com palhaços coloridos? Acreditas que essa cambada de políticos que enriquecem à custa dos impostos de trabalhadores está a fim de cantigas de ninar? Mesmo assim, entendes que um punhado de gente com apito na boca ou nariz de palhaço pode sensibilizar o coração desses descendentes direto de Nero? Não, não vou a nenhuma manifestação contra a corrupção em que os manifestantes não estejam determinados a lutar. 
     
     Lutar no sentido mais original da palavra. A corrupção é um cancro que precisa ser extirpado, senão mata o Brasil. Enquanto os corruptos não defrontarem-se com uma multidão enraivecida, capaz de derramar o próprio sangue, eles continuarão matando idosos nas filas de hospitais. Continuarão permitindo que marginais iguais a eles roubem e tirem a vida de pais de família. Para enfrentar um leão, meu chapa, precisamos ao menos de uma boa faca. Por isso, não me convide para fazer parte de uma marcha contra a corrupção. Não creio em grandes mudanças sem derramamento de sangue; que o digam as últimas reviravoltas no chamado mundo árabe. Combater a corrupção com vassourinhas, faixas e gritos... Desculpe-me a sinceridade – ou pessimismo -, mas acho que é apenas pirotecnia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O cérebro de lacraia, a OAB e a Barra da Lagoa



     Você é morador da Grande Florianópolis? Então, conhece a Barra da Lagoa. Não é e não tem a menor ideia do que seja, nem onde fica? Pois bem, a Barra da Lagoa é um bairro de Florianópolis juntinho da afamada Lagoa da Conceição. Pousadas tem aos punhados por lá. Isso implica em turistas às toneladas no verão. Florianópolis, verão e turismo, somados ao descaso do poder público, resulta não só em trânsito caótico, mas ao consumo exagerado de drogas. E não precisa ser investigador pós-graduado para saber disso. Um pouco de vivência e olhos atenciosos são suficientes. É assim em quase todo destino turístico nas terras descobertas por Cabral em 1500. 
 
     Antes que um ilhéu bairrista saque seus argumentos e me chame de cabeça chata, vou dar um exemplo do que ocorre no meu querido Rio Grande do Norte. Praia de Pipa. Meu caro, se o consumo de drogas for combatido por lá, o lugarejo será esvaziado em menos de vinte e quatro horas. Pipa é um território livre. Livre para quem quer encher o bucho de cocaína, maconha e congêneres. E o mesmo fenômeno vem crescendo pelas praias de Floripa. Até minha idolatrada Praia da Daniela, conhecida por ser um balneário para a família, vem se transformando num polo atrator de maconheiros. Daqui a pouco, terei que usar máscara durante minhas caminhadas na areia. Até me lembra aquela música do Ultraje a rigor: “nós vamos invadir sua praia”.

     Droga, meu chapa, é coisa para rico, para quem tem dinheiro. O pobre inventa de usar e não tem dinheiro para fazer o investimento. Toda porcaria, hoje, é investimento. Não duvido que em breve as propagandas de cervejas dirão: “invista em cinquenta garrafas de cervejas por noite”. Pois bem, o carinha quer maconha e não tem como comprar; o que faz, o que faz? Rouba, assalta. Quer cocaína e o babado está caro; o que faz, o que faz? Criminalidade, paisano. Criminalidade. 
Enquanto uma parte da sociedade discute o assunto, a outra sofre as consequências. Voltemos à Barra da Lagoa falada no primeiro parágrafo.
 
     Com o aumento do tráfico, e consequente criminalidade, a população viu-se acuada entre a ação de marginais e a ausência de segurança pública. E o ser humano aterrorizado, simpatia, não difere de qualquer outro animal. A comunidade da Barra deu as mãos e surrou a cambada de desordeiros que infestava o local. É a clara evidência que o poder público faliu. O dinheiro do contribuinte é sugado por administradores que não pensam duas vezes antes de meter a mão no erário. A OAB local, outra sanguessuga – que o diga o caso da chamada Advocacia Dativa -, logo tratou de advertir a população. De acordo com o site do jornal Diário Catarinense, "o presidente da Comissão de Segurança, Criminalidade e Violência Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Juliano Keller do Valle, esclarece que as pessoas que participaram da agressão agiram contra a lei e podem ser responsabilizadas judicialmente por lesão corporal leve, grave ou tentativa de homicídio, se um inquérito for aberto". Ora, ora, dona OAB, comece a trabalhar pelo povo. Comece incentivando a criação de uma defensoria pública. Porque vai ter gente pensando que a senhora está, também, lucrando com o crescimento da criminalidade. Claro que tem advogados que vivem à custa de marginais, mas a OAB não deve enveredar por esse caminho.

     Enquanto os políticos deixam a população à mercê de bandidos – incluindo eles, lógico -, resta aos cidadãos o direito a defesa. E esse direito é sagrado. Nem a OAB, nem o diabo que a carregue, tem o direito de proibir que um mortal se defenda. “Mas ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos”, dirá um cérebro de lacraia. E-vi-den-te, ô cabeça de prego. O problema é que os moradores da Barra perderam a fé em quem deveria lhes defender. Sentem-se órfãos do Estado. São bezerros desmamados cuja mãe foi encontrar-se com o único mal irremediável. Aí, companheiro, é salve-se quem puder. E não se engane, atitudes como a dos moradores da Barra vão surgir aos borbotões por esse Brasil tão abandonado pela República.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os filhos de Papai Noel


     Tem músicas que ficam para sempre no nosso depósito de pensar bobagens. Foi assim quando ouvi pela primeira vez o hit Florentina, do atual deputado Tiririca. Passei numa rua da Capital Espacial do Brasil e escutei o cearense dizendo “qual é, qual foi, por que que tu ta nessa?”. O refrão grudou na minha cachola feito super bonder. Eu estava condenado a nunca mais esquecer aqueles camonianos versos. Você, sem precisar envidar esforço algum, já está lembrando-se das letras de canções tatuadas no teu porta cabelos. Eu tenho as minhas, você tem as suas. Essa ou aquela pode até ser comum a nos dois. Tem uma, no entanto, que tenho absoluta certeza que você carrega, mesmo que a contragosto, na cabeça. “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”, lembra? Claro que sim, hem.

     O tempo, esse estraga prazeres de inocentes, tratou de provar por A mais B que, de fato, nem todos nós somos filhos do velhinho colorado. Um portal de notícias de Florianópolis alardeou que “A Assembleia, o Tribunal de Justiça, o TCE e o Ministério Público vão conceder gratificações de Natal aos servidores sob o argumento de que é tradição e de que sobrou dinheiro”. Fiquei de fora dessa mega/hiper/super teta. Elementar, paisano, não sou filho de Papai Noel. Começo a achar que esse octogenário alvirrubro nasceu com a mãe na zona. E no cabaré chamado Santa Catarina, só os brothers dele tem direito a presentes. Certamente os beréus de todo o Brasil estão em festa, não apenas o daqui. Seria nosso país uma espécie de Pânico na TV, onde só a sacanagem tem vez? Bem, se serve de consolo, pelo menos o velho embusteiro não é flamenguista.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O bicho de 2011


     Atice sua curiosidade que a eleição do ano está chegando. Estamos escolhendo os personagens de 2011 na República Três Platôs. Você, leitor, leitora ou coisa do gênero, poderá votar quantas vezes quiser em quem achar melhor. Para não gerar aquelas dúvidas e incertezas próprias de quem, como eu, não conhece os meandros da democracia, cada categoria terá apenas um candidato. Com isso evitaremos que uma mesma mão clique cinco mil vezes no mesmo bicho. Ah, o ledor contumaz do reporteando sabe que, no Três Platôs, a bicharada tem vez. Por isso, os concorrentes do pleito serão todos animais. O candidato único também elimina a vergonha de candidatos que são usados apenas para legitimar o processo, mas que antes da votação já foram dados como derrotados pela organização. Nos próximos dias postarei as fotos dos candidatos. Antecipo desde já as categorias em destaque.

Penico: em homenagem ao programa de televisão da rede TV que faz a cabeça da juventude. Na verdade, uma dupla estará concorrendo. Maria Rosa e Chica Pelega são duas terneiras Jersey que mamam uma na outra ao mesmo tempo. São as artistas do sítio. Quem vê a cena, esbalda-se.

Sanguessuga: alusivo aos políticos tupiniquins. O representante dessa categoria é o chupim. Um pássaro que, ao invés de fazer seu ninho, procura o de outra ave e deposita seus ovos ali. Antes, porém, quebra os ovos do proprietário do lar. Depois, é só esperar que os filhos nasçam e outros os alimentem. O chupim, em suma, cresce com o trabalho alheio.

Povo: representando o operariado brasileiro. O indicado ao título é a cambacica. Uma ave minúscula que teve seu ninho invadido pelo chupim. Agora os filhos do intruso nasceram. Ela, menor do que os filhotes, passa o dia em busca de alimento para os três esfomeados.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prefeitura de Florianópolis imita galinha


     Florianópolis recebe hoje mais uma obra no seu travado sistema viário. Um elevado foi construído para facilitar o trânsito para quem chega à ilha. Logo mais, às 10h, será feita a inauguração. Um ato semelhante ao cantar da galinha quando bota o ovo. A população deve ficar esperta porque, assim como ocorre com as penosas, do mesmo lugar que verte a edificação costuma brotar algo nada bom. É justamente por esse motivo que alguns mandatários adoram construção. Não sou idiota a ponto de ser contrário às melhorias da cidade, como não sou avesso a ovos. Sou, no entanto, totalmente contrário a publicidade dada às inaugurações de obras públicas. Claro, meu amigo. Para fazer isso, o erário precisa encher os bolsos da mídia. Esta, por sua vez, para não perder a teta, torna-se uma amordaçada. Vamos deixar o cacarejo para as poedeiras. Os beneficiados que notem as obras do governo.